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Cláudio Osti

Por que uma Simples Foto dos Anos Oitenta Travou a Internet

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Por Marcos Defreitas

​Nos últimos dias, as redes sociais foram tomadas por um movimento avassalador de fotos transformadas, onde pessoas do mundo todo decidiram vestir a estética dos anos oitenta em um resgate coletivo de memória. Há algo de profundamente mágico e emocionante quando o presente resolve olhar para trás e resgatar a luz inconfundível de uma época que não volta mais. De repente, os celulares e os aplicativos foram invadidos por uma febre retrô incontrolável. Bastou um sopro da tecnologia moderna para que retratos do nosso dia a dia ganhassem o visual marcante dos anos oitenta, com cabelos volumosos, roupas coloridas e aquela textura única e calorosa das fotografias analógicas guardadas em velhos álbuns de família.
​O sucesso foi estrondoso, espalhando milhares de postagens no Instagram, no TikTok e no WhatsApp, chegando até a sobrecarregar os sistemas digitais por causa de tanta gente querendo se reencontrar com o passado ao mesmo tempo. Essa comoção me fez refletir e buscar respostas sobre o que existe por trás desse fenômeno que mexeu tão fundo até mesmo com as gerações mais velhas.
​E essa explicação é simples, pois reside puramente na alma. Em um mundo agitado e muitas vezes frio, o nosso coração busca abrigo e conforto nas lembranças de um tempo em que tudo parecia mais seguro. Lembro de quando as pessoas se encontravam sem precisar de celular, apenas combinando um horário na esquina, de quando o orelhão da rua era nosso ponto de contato e as danças nas festinhas eram lentas e bem coladinhas. Olhar para a própria imagem com as marcas daquela década não é apenas uma brincadeira divertida, mas sim um abraço apertado na memória, um reencontro acolhedor que faz a gente respirar fundo e marejar os olhos.
​Talvez esteja na hora de resgatar algumas coisas boas que ficaram para trás, dos anos 80.
Comer comida sem lista de ingredientes.
Tomar sol sem viver com medo dele.
Andar mais.
Dirigir menos.
Passar horas sem olhar para uma tela.
Conversar com as pessoas sem pegar o celular a cada 30 segundos.
Preocupar-se menos em otimizar tudo.
E mais em viver.
Talvez a gente não precise de mais tecnologia.
Talvez precise viver um pouco mais como nos anos 80.
​Essa ponte preciosa entre o ontem e o hoje despertou um sentimento puro e resiliente que estava adormecido. Trata de uma saudade verdadeira de quando a mesa de Natal tinha mais lugares ocupados e as risadas ecoavam sem pressa pela casa. É a lembrança de pessoas queridas que já se foram e deixaram uma falta imensa, mas também o aconchego de recordar de quando alguém cuidava da gente, passava a mão na nossa cabeça e garantia que o amanhã ficaria bem. É o desejo bonito de resgatar aquela versão mais simples, ingênua e forte de nós mesmos.
​Essas retratações mexem tanto com a nossa vida porque revelam uma verdade sobre quem fomos e quem nos tornamos. A tecnologia pode avançar e inventar maravilhas, mas ela jamais será capaz de apagar a nossa essência, o amor pelas nossas origens, a nossa capacidade de superar as dores do tempo e a saudade eterna das nossas mais queridas memórias. No fim, quando as luzes da tela se apagam, fica só o eco doce daquela música lenta tocando ao fundo, o cheiro do café coado na casa da avó e a certeza inabalável de que fomos infinitamente mais felizes.

Marcos Defreitas é jornalista e articulista convidado deste Portal

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