
Maduro passou a primeira noite sob custódia em uma prisão federal no Brooklyn, em Nova York, após ter sido retirado da capital venezuelana a bordo de um helicóptero norte-americano, na madrugada de sábado (3). Ele foi levado inicialmente a um navio no Mar do Caribe, depois transferido para a base naval de Guantánamo, em Cuba, e, por fim, transportado de avião militar para os Estados Unidos, em uma operação marcada por forte aparato de segurança.
Ao desembarcar na Base Aérea da Guarda Nacional de Stewart, no norte do estado de Nova York, Maduro foi escoltado por agentes do FBI e da Agência Antidrogas dos EUA (DEA). Em imagens divulgadas pela Casa Branca, o líder venezuelano aparece caminhando por um corredor identificado com a sigla da DEA de Nova York, em um gesto simbólico que reforça a narrativa oficial de combate ao narcotráfico.
Maduro deve comparecer nesta segunda-feira (5) ao tribunal federal de Manhattan. Ele já havia sido formalmente acusado em 2020 por narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos e crimes envolvendo armas de uso restrito. No sábado, o Ministério Público do Distrito Sul de Nova York apresentou novas acusações.
Discurso antidrogas esconde interesses energéticos
Apesar da gravidade das acusações, especialistas em política internacional apontam que o discurso antidrogas funciona como justificativa jurídica e política para uma intervenção que atende a interesses econômicos e geopolíticos históricos dos Estados Unidos na região.
A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta e, nos últimos anos, aprofundou parcerias energéticas com países considerados rivais de Washington, como China, Rússia e Irã. Para analistas, a retirada de Maduro do poder abre caminho para a reconfiguração do controle sobre a estatal petrolífera PDVSA e para a reinserção de empresas norte-americanas no setor energético venezuelano.
Horas após a operação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Washington passaria a governar a Venezuela até a conclusão de uma transição de poder, declaração que reforçou as suspeitas de que a ação vai além de uma operação policial ou judicial.
Reação interna e internacional
Internamente, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela decidiu que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez assumirá a presidência interina, tornando-se a primeira mulher a chefiar o Executivo do país. Segundo o tribunal, a medida visa garantir a “continuidade administrativa e a defesa integral da nação”.
A comunidade internacional reagiu de forma dividida. Enquanto aliados dos Estados Unidos celebraram a queda de Maduro, países da América Latina, além de Rússia e China, condenaram a ação como violação da soberania venezuelana.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou “profunda preocupação” com a escalada da tensão e alertou para os riscos de instabilidade regional. Para observadores internacionais, o episódio pode inaugurar uma nova fase de disputas geopolíticas na América do Sul, com o petróleo venezuelano novamente no centro do tabuleiro.
Mais do que uma ofensiva contra o narcotráfico, a prisão de Maduro evidencia que energia, poder e influência global continuam sendo os principais motores da política externa norte-americana na região.















6 comentários
Gasparian
Li uma crítica do ” especialista em cinema ” e ex-prefeito Alexandre Kireff em seu Facebook.
Não surpreende que essa obra, tão elogiada por críticos e premiada em festivais, cause desconforto em figuras públicas como o ruralista Kireeff.
Afinal, lidar com o passado, principalmente com seus aspectos mais sombrios, exige coragem, sensibilidade e empatia.
Qualidades que o filme tem de sobra, mas que nem todos estão dispostos a valorizar.
Kireff deveria focar mais na atual administração da cidade, apoiada por ele e com enormes falhas.
Não já para Porto de Galinhas
A praia de Porto de Galinhas começou 2026 com um cenário desolador, turistas em menor número, barracas vazias e um clima de abandono que contrasta com o passado recente de efervescência e boa reputação. Tradicionalmente movimentada neste período, a região parece estar colhendo os frutos de uma combinação perigosa: desorganização, violência e exploração.
Casos recentes de agressões homofóbicas, confusões generalizadas, preços abusivos cobrados por ambulantes e bares, além da ausência de fiscalização, transformaram o paraíso em um problema.
Porto de Galinhas, que já foi referência em estrutura e acolhimento no litoral nordestino, corre sério risco de perder seu prestígio e seu sustento. Turismo exige mais que beleza natural, requer respeito, segurança e gestão.
E disso, infelizmente, anda faltando por lá.
Jordão Bruno
E de morrer de rir quando leio alguém – geralmente militante da seita bolsonarista – afirmando que Trump atacou a Venezuela para instalar a democracia naquele país. É gente muito tola se não estiver espalhando fake news de má-fé. Oras bolas! Os Estados Unidos patrocinaram a ditadura militar em nosso país, que durou 25 anos a partir de 1964. Nem vou citar outros ditadores que Trump apoia hoje no mundo. Entre eles, o novo presidente da Síria, considerado pelos Estados Unidos, até meses atrás, perigoso terrorista do Estado Islâmico.
Tóin
https://angelorigon.com.br/2026/01/04/julgamento-de-presidentes/
“Os EUA não respeitam países desprovidos de armas nucleares”
O ex deputado Dragão Dengoso de Maringá está defendendo bomba atômica para o Brasil?
Tóin
https://angelorigon.com.br/2026/01/04/julgamento-de-presidentes/
Os EUA não respeitam países desprovidos de armas nucleares
O ex deputado Dragão Dengoso de Maringá está defendendo bomba atômica para o Brasil?
Genildo
Que os progressistas fiquem tranquilos, o ditador Maduro, amigo do podre, seja julgado com mais imparcialidade do que muitos brasileiros.
A preocupação maior agora é ele não delatar….