Em memória de Fernanda Estruzani
Néias – Observatório de Feminicídios de Londrina recebe com satisfação, mas também com indignação a notícia da prisão de Marcos Campinha Panissa, condenado pelo assassinato de Fernanda Estruzani, sua ex-companheira e mãe de sua filha. No dia 6 de agosto de 1989, ele a matou em Londrina com 72 facadas. Panissa confessou o crime, foi julgado à revelia e condenado a 19 anos e 6 meses de prisão, mas estava foragido desde 1995. Seu paradeiro seguiu desconhecido até ser preso em 15 de abril de 2026 no Paraguai, a dois anos da prescrição do crime.
Nos 37 anos que se passaram desde o dia em que Fernanda foi morta na casa onde morava com a filha, pensamos em tudo que ela poderia ter vivido.
Fernanda poderia ter construído uma carreira, cultivado afetos, visto a filha crescer. Poderia ter errado e acertado, vivido algumas dúvidas, mudado de ideia. O que se espera, afinal, de qualquer vida. Mas Fernanda não experimentou nada disso e, desde o dia de sua morte, não teve sequer o direito à memória da mulher que foi, porque sua história ficou reduzida às 72 facadas que lhe tiraram a existência.
Este Observatório recebe com exaustão os relatos que ainda reproduzem a tese da defesa de que se trataria de “crime passional” praticado sob violenta emoção. E lembra a necessidade de nomear corretamente a violência que matou Fernanda: FEMINICÍDIO.
Um crime de ódio praticado pela certeza de que um homem tem poder sobre o corpo, as vontades e a vida de uma mulher. Embora a tipificação legal não existisse em 1989, o fenômeno existia e a ausência desse arcabouço permitiu que a conduta da vítima fosse colocada em pauta durante todo o julgamento, apesar das 72 facadas. Repudiamos narrativas que revitimizam e culpabilizam mulheres assassinadas. Quem ama não mata.
A prisão é resultado do trabalho conjunto do Ministério Público e das polícias, de quem reconhecemos o esforço. É preciso ressaltar, porém, que Panissa foi condenado definitivamente em 2008 e seguiu livre por mais dezoito anos. Um sistema que condena e não executa a pena sinaliza à sociedade que a Justiça que tarda, falha.
#FernandaPresente
#nenhumaamenos
Néias — Observatório de Feminicídios de Londrina Londrina, 16 de abril de 2026














