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Cláudio Osti

Senador Jaques Wágner (PT) e ex-sócio de Daniel Vorcaro são alvos da Polícia Federal

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Senador Jaques Wágner (PT) e ex-sócio de Daniel Vorcaro são alvos da Polícia FederalO senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, são alvos de busca em nova fase da operação Compliance Zero, que investiga as fraudes do banco Master.

Uma das suspeitas investigadas pela PF é o repasse de um imóvel de cerca de R$ 2,5 milhões de Lima à Wagner.

Também são alvos de busca Eduardo Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner, e Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, que é pai de Eduardo. Policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Também são cumpridas medidas cautelares diversas de prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.

Augusto Lima já estava usando tornozeleira eletrônica – ele foi alvo da primeira fase da operação Compliance Zero.

A BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora de Jaques Wagner, recebeu, entre 2022 e 2025, R$ 12 milhões do Master de acordo com a quebra de sigilo fiscal do banco enviada à CPI de Crime Organizado.

O próprio senador também aparece como destinatário de R$ 289 mil na quebra de sigilo, mas afirmou à época da divulgação das informações que os valores eram rendimentos de uma aplicação em uma conta no banco.

Em entrevista a uma rádio baiana após o início do caso Master, Jaques chegou a dizer que não temia uma delação de Vorcaro e afirmou ter negociado com Augusto Lima a venda da rede de supermercados estatais Cesta do Povo.

A negociação, disse ele, foi antes de Lima se tornar sócio de Vorcaro no Master.

Foi essa negociação que aproximou Lima do PT da Bahia e Jaques Wagner a partir de 2017. Foi o senador o responsável, como secretário do governo da Bahia, pela privatização da Ebal, estatal responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo.

Após alguns leilões vazios, Lima sugeriu aumentar o escopo dos cartões de compra da rede, que passaram a incluir serviços financeiros e se tornaram o Credcesta.

A Ebal, então, foi vendida para uma empresa por R$ 15 milhões e depois repassada para Augusto Lima.

O UOL entrou em contato com a assessoria de Jaques Wagner e também procurou a defesa de Augusto Lima e aguarda respostas. O espaço segue aberto.

 

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3 comentários

  • Zezinho da Silva

    Até na movimentação de dinheiro suspeito, o senador Flávio Rachadinha ganha longe do senador Jaques Wagner. Flávio Rachadinha recebeu de Vorcaro 10,6 milhões… de dólares, equivalentes na época a 61 milhões de reais. Flávio Rachadinha queria que Vorcaro lhe desse mais 24 milhões… de dólares. Será que Vorcaro também era tratado por Jaques Wagner como “irmãozão”. Até agora não li nada sobre Jaques Wagner ter levado um papo tão íntimo como Vorcaro. E a dúvida: por que o ministro “terrivelmente evangélico” não mandou a PF também fazer uma devassa na mansão do Flávio Bolsonaro como mandou fazer na casa do petista? Seria por que Flávio B. também virou crente?

  • Jordão Bruno

    Como diz o comediante Fábio Rabin, judeu é doido por dinheiro, não perde uma oportunidade para juntar dinheiro, até mesmo se for preciso vender a mãe. Então, encontrar essa bolada na casa do senador Jaques Wagner, que é judeu, não é totalmente descabido. Como os demais que estão envolvidos no caso BolsoMaster, cabe ao senador provar que a origem dessa grana é lícita. Se não provar, que pague pelo erro cometido. Pelo menos até agora, que eu saiba, Vorcaro não doou milhões para a campanha eleitoral de qualquer petista. Também não temos informação de Vorcaro ter enviado dinheiro para paraíso fiscal dos EUA em benefício de algum petista. Em tempo: Fábio Rabin é judeu.

  • O avanço da Operação Compliance Zero expõe, mais uma vez, as engrenagens de um sistema onde as fronteiras entre o interesse público e o privado se misturam de forma alarmante. A investigação que atinge o senador Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima ilustra o tradicional fisiologismo brasileiro. Nesses arranjos, processos de privatização e transações imobiliárias milionárias parecem servir como pano de fundo para a circulação de favores e repasses financeiros cruzados. Ao envolver desde o núcleo familiar do parlamentar até grandes movimentações ligadas ao Banco Master, o caso reforça o comprometimento da atividade política com o poder econômico. Essa simbiose não apenas desvirtua o papel do Estado, mas também consolida o capitalismo de compadrio, onde o acesso privilegiado ao poder define o sucesso nos negócios em detrimento do interesse coletivo.

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