Empresas de Vargas ficavam com 10% das verbas de publicidade da Caixa e do Ministério da Saúde

Segundo os delegados da Polícia Federal, os valores desviados dos contratos de publicidade da Caixa e do Ministério da Saúde pelo ex-deputado André Vargas, preso hoje, representavam 10% do valor dos contratos.

O esquema funcionaria em três etapas: na primeira, eram contratadas agências de publicidade que, em uma segunda fase, subcontratavam produtoras. Por fim, as produtoras contratavam os serviços de empresas em que o ex-deputado e seu irmão, Leon Vargas, participavam como sócios. Essas empresas, que receberiam 10% do valor inicial, não existiam fisicamente nem prestavam os serviços pelos quais as notas eram emitidas.

— Essa relação configura lavagem de dinheiro — definiu o procurador do Ministério Público Carlos Fernandes Santos Lima.

Segundo o delegado Márcio Adriano Anselmo, alguns dos contratos ainda estão vigentes, enquanto outros teriam se encerrado em dezembro de 2014. Além do esquema de desvio, Vargas é investigado por envolvimento na contratação da empresa Labogen, ligada a Alberto Youssef, por tráfico de influência e pela aquisição de uma casa em Londrina no valor de R$ 980 mil sem lastro patrimonial.

De acordo com o procurador do MP, as investigações da Lava-Jato estão longe do fim. A operação investiga outros órgãos além do Ministério da Saúde e da Caixa.

— Ela vai nos levar por mares nunca dantes navegados. (…) Essa investigação não pode morrer em processos intermináveis na Justiça — disse Carlos Fernandes Santos Lima.

Com Zero Hora

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