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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Observatório de Gestão Pública aponta vários problemas na tentativa de aprovar os supersalários

Por Cláudio Osti
9 comentários
Observatório de Gestão Pública aponta vários problemas na tentativa de aprovar os supersalários
Foto Fernando Cremonez

NOTA PÚBLICA: POSIÇÃO DO OBSERVATÓRIO DE GESTÃO PÚBLICA DE LONDRINA SOBRE O PROJETO DE LEI Nº 204/2025

O Observatório de Gestão Pública de Londrina (OGPL) manifesta sua posição contrária ao Projeto de Lei nº 204/2025, recentemente encaminhado pelo Executivo Municipal à Câmara de Vereadores.
Apesar da tentativa de apresentar o texto como uma “nova versão” ou “aperfeiçoamento” da proposta anterior, que tentou autorizar o acúmulo de remuneração por servidores comissionados vindos de outros entes federativos, o novo PL mantém sua essência inconstitucional, ineficiente e lesiva ao interesse público.
Seguem abaixo os pontos principais que explicam a posição da entidade:

1 – Pequena alteração que não muda a essência negativa do projeto
A proposta apresenta uma única modificação em relação ao projeto anterior, sem resolver os problemas estruturais e jurídicos já amplamente debatidos. A essência continua sendo a permissão indevida de acúmulo de remunerações para servidores comissionados.

2 – Separação estratégica dos projetos pelo Executivo
Reconhecemos que a Prefeitura agiu com estratégia política ao desmembrar este projeto de outros que tratam de temas legítimos relacionados ao funcionalismo público. No entanto, isso evidencia uma tentativa de facilitar a aprovação de um projeto polêmico à revelia do debate público qualificado.

3 – Alteração pontual e inócua quanto ao ente cedente
A única mudança concreta é a obrigação do ente de origem arcar com a remuneração do cargo efetivo. Contudo, essa cláusula é irrelevante no caso da União, pois o próprio Estatuto do Servidor Federal (Lei 8.112/90, art. 93, §1º) já estabelece que o ônus remuneratório recai sobre o órgão de destino, tornando a mudança inócua para servidores federais cedidos.

4 – Grave retrocesso legislativo
A possibilidade de acúmulo de vencimentos foi extinta no Brasil em 1998, com a instituição do regime de subsídio único, após amplo debate e consenso social. Retomar esse modelo ultrapassado significa retroceder mais de 25 anos em conquistas legislativas e sociais. A experiência mostra que abrir essa brecha hoje pode levar a novos tipos de acúmulo no futuro.

5 – Violação ao princípio da impessoalidade
O projeto permite tratamento diferenciado entre servidores públicos de diferentes entes federativos, ferindo o princípio constitucional da impessoalidade.

6 – Violação ao princípio da eficiência
Ao permitir que um servidor estadual receba valores sem exercer o cargo efetivo, o projeto compromete a eficiência da administração pública.

7 – Violação ao princípio da moralidade
Pagar remuneração pública sem a correspondente contraprestação de trabalho atenta contra a moralidade administrativa.

8 – Todos esses princípios estão previstos no art. 37 da Constituição Federal
Impessoalidade, eficiência e moralidade são pilares da Administração Pública brasileira e não podem ser relativizados.

9 – Onera os cofres municipais quando o servidor for do próprio município
Se o servidor for municipal, o acúmulo autorizado implicará aumento da folha de pagamento sem aumento proporcional de produtividade.

10 – Onera o contribuinte em todas as esferas
Ao permitir que se receba sem trabalhar, transfere-se o custo ao cidadão que paga impostos municipais, estaduais e federais.

11 – Desrespeito à vontade popular e ao processo democrático
O projeto retorna à pauta mesmo após forte oposição da sociedade e o compromisso da própria Prefeitura de só retomar o tema em outubro. A tentativa de aprovação em meio ao recesso demonstra falta de transparência e compromisso com o diálogo democrático.

12 – Reforçamos o pedido de audiência pública
O Observatório de Gestão Pública já protocolou pedido de audiência pública na Câmara Municipal. Esperamos que o Legislativo ouça e respeite a sociedade antes de votar um projeto que afeta diretamente os princípios da administração pública e os cofres públicos.

Londrina, 9 de julho de 2025
Observatório de Gestão Pública de Londrina

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Cláudio Osti
Cláudio Osti

Jornalista e editor do Paçoca com Cebola. Cobre a política de Londrina e do Paraná.

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9 comentários

  • De olho Londrina

    Este observatório não serve para nada!

  • Cadê a Lenir Assis?

    Já peticiona antes da sessão no MP gente.
    Comecem a fazer o Ministério Público Estadual trabalhar.
    Atenção Promotores e Promotoras.
    Muita atenção no que vão deixar de fazer.
    E para a segunda rodada:
    Ação Popular contra todos eles.
    Vereadores, Prefeito e Secretários Beneficiados.

  • Observatório qual a sua opinião sobre a CTD?
    Empresa que não dá lucro, cabides de empregos, VCS nunca opinaram sobre este assunto.
    Recursos de vez ir para a necessidade da população é desviado para bancar apadrinhados .

  • O Observatório finalmente vai acordar do longo sono de 8 anos e falar algo sobre o CTD e o piso do Moringão? Quem sabe, talvez um milagre aconteça e eles descubram a voz!

    • Cadê o MP e TCE

      Quem pediu 100% de isenção de IPTU? O Country, o City London ou o Sérgio Malucelli com a SM Sports?

      PROJETO DE LEI N.º 200/2025
      SÚMULA: Autoriza o Poder Executivo a criar a política de incentivo fiscal para clubes esportivos sociais sediados em Londrina.

      Antônio Amaral (PSD)

      …

      Art. 4º A título de estímulo, os clubes esportivos sociais gozarão de desconto do Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU, proporcional ao investimento constante nos projetos aprovados pelas respectivas Secretarias, nas atividades vinculadas à cultura, educação e esporte.

      Parágrafo único. O desconto poderá atingir até 100% (cem por cento) do valor do IPTU incidente sobre a sede social do clube.
      …

      https://www.cml.pr.gov.br/proposicoes/Projetos-de-Lei/2025/1/0/240963

      JUSTIFICATIVA

      …

      Com o impacto da pandemia, os clubes enfrentaram prejuízos significativos devido à redução expressiva no número de associados. Além disso, a expansão da cidade fez com que muitos desses clubes, anteriormente localizados em regiões periféricas, passassem a estar em áreas centrais, o que resultou em custos mais altos com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Este cenário de aumento das despesas, aliado à perda de receitas, trouxe severas dificuldades financeiras para essas instituições, elevando o risco de inadimplência, inclusive no pagamento do IPTU.

  • Eu sei o que fez no verão passado

    Até as antas do Barigui sabe que um certo ex gestor passeava pela noite Curitibana com frequência às custas do erário.
    Um hotel pertinho da Alep.
    Pior o conselho não denunciar. São responsáveis da mesma forma.

  • Que show ! Os secretários de Londrina estão se dando muito bem, né? Recebendo salários estaduais e gratificações municipais, é como se estivessem em uma festa de dinheiro público! O Ministério Público está investigando, mas a Prefeitura diz que é tudo legal… Quem precisa de dinheiro para saúde ou educação quando os secretários podem ter salários duplicados?

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