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Cláudio Osti

A Corrente das mãos

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Por Marcos Defreitas

Uma marca de chocolate colocou uma máquina no meio de uma praça.
Era uma instalação simples. Tinha um botão. Não aceitava dinheiro, cartão ou qualquer outra coisa. Bastava apertar e esperar.
As pessoas chegavam, apertavam o botão e nada acontecia.
Até perceberem que havia outro botão alguns metros adiante, instalado junto a uma estrutura da própria marca. Para o chocolate sair, era preciso apertar os dois ao mesmo tempo.
Parecia fácil.
Não era.
A distância impedia que uma única pessoa alcançasse os dois.
Então alguém teve uma ideia. Uma pessoa segurou a mão da outra, que segurou a mão de uma terceira. Aos poucos, formaram uma corrente.
Um tocava um botão. Outro alcançava o segundo. O circuito se completava.
E o chocolate saía.
Mas havia um detalhe. A cada nova tentativa, a estrutura se afastava um pouco mais.
Em vez de desistirem, as pessoas chamavam mais alguém.
A corrente crescia.
Desconhecidos começaram a depender uns dos outros. Ninguém perguntava de onde o outro vinha, no que acreditava ou quais eram suas diferenças. Havia apenas um objetivo que ninguém conseguiria alcançar sozinho.
E talvez estivesse aí a verdadeira experiência.
Vivemos cercados de conexões, mas nem sempre sabemos estar próximos. Temos milhares de contatos e, muitas vezes, dificuldade para ouvir quem está ao nosso lado.
Aquela praça ensinava algo diferente. Para chegar ao objetivo, ninguém precisava pensar igual. Era suficiente reconhecer que o outro podia completar aquilo que nos faltava.
Essa talvez seja uma das formas mais difíceis de convivência. Aceitar que não somos autossuficientes.
Quando surgem diferenças, nossa tendência muitas vezes é levantar barreiras. Quando alguém pensa diferente, transformamos a distância em separação.
Mas algumas distâncias não diminuem com força.
Diminuem com aproximação.
E algumas dificuldades não são vencidas por quem é mais forte, mas por quem consegue confiar.
É aí que a resiliência ganha outro significado. Não é apenas resistir sozinho diante das dificuldades. É também continuar acreditando na possibilidade de construir algo com outras pessoas, mesmo quando seria mais fácil desistir delas.
A máquina continuava esperando.
Um botão permanecia de cada lado.
O chocolate só aparecia quando as duas pontas estavam conectadas.
Talvez a vida seja um pouco assim.
Às vezes, aquilo que desejamos está ao alcance das mãos, mas separado por uma distância que ninguém consegue vencer sozinho.
E talvez o verdadeiro prêmio não esteja no chocolate que finalmente cai.
Este é apenas o instante visível.
O verdadeiro presente está naquilo que acontece antes.
Uma mão encontra outra.
Uma pessoa confia em outra.
E, por alguns instantes, desconhecidos descobrem que podem fazer juntos aquilo que nenhum deles conseguiria fazer sozinho.

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