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Editor:
Cláudio Osti

A democracia não sobreviverá se continuar sendo refém do espetáculo do cadafalso.

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Por Israel Marazaki

No próximo dia 26, a Câmara Municipal de Londrina coloca em votação mais uma cassação contra a vereadora Anne Moraes. O que está na mesa não é a burocracia de um mandato; é o apetite da elite política local pela punição preventiva, uma engrenagem que tritura pessoas muito antes de abrir o livro de leis.

O método é cruel, repetitivo e cirúrgico:
Primeiro, joga-se a denúncia aos leões da mídia na potência máxima;
Segundo, molda-se a pressa para que ela pareça culpa;
Terceiro, sangra-se a reputação do alvo até que não sobre nada além de um cadáver civil.
Só no final — se houver tempo e vontade — o Direito aparece para tentar juntar os destroços com a pinça do devido processo legal.

Quem olha sem venda nos olhos sabe o resultado: o indivíduo já foi executado na praça pública muito antes do juiz bater o martelo. Não se trata de blindar ninguém, mas de salvar o que resta da nossa própria pele coletiva.

O caso do ex-vereador Mário Takahashi é o desenho perfeito dessa máquina de moer gente. Teve suas condenações anuladas há poucos dias, mas de que adianta a absolvição no papel se a vida dele já foi linchada na memória da cidade? Nenhuma canetada jurídica reconstrói o que a pressa institucional implodiu.

Quando o Estado opera assim, o cidadão comum perde a proteção. Afinal, qual é o peso da palavra “inocente” quando a pele já foi marcada a ferro quente pela opinião pública?

Não existe equilíbrio quando a acusação grita nos megafones do poder e a absolvição é sussurrada nos cantos. Isso não é justiça; é assimetria brutal. É a substituição da prova pelo linchamento virtual, da verdade pelo impacto. É a fome antiga, e cada vez mais nítida, de entregar um cordeiro sangrando para saciar o clamor das galerias.

Exagero?

Basta olhar para o lado. O pedido de Comissão Processante contra o próprio presidente da Câmara — protocolado por Thiago Sborchia também por quebra de decoro — mofa na gaveta da mesa diretora há meses. Ali, o silêncio é conveniente. Ninguém leu, ninguém se indignou, ninguém teve pressa. As “coincidências” em Londrina têm lado e têm pressa seletiva.

Estas perguntas não são a defesa de um nome; são o grito de alerta para um princípio que deveria ser sagrado: ninguém pode ser jogado na fogueira antes da última palavra da lei. Nem pelo Estado, nem pelo microfone da imprensa, nem pela conveniência política do dia.

Porque no dia em que aceitarmos o linchamento como rito, a próxima vítima não precisará de crime.

Bastará o dedo apontado de quem está no poder

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