
“Eu lembro até hoje. É uma geada que não dá para esquecer”, diz o agricultor Mauro Sato, de Apucarana. Com apenas 21 anos na época, ele viu o trabalho da família ser arrasado. “Chegamos a chorar porque não sabíamos o que fazer. Perdemos todo o café.”
Os termômetros marcaram -3,5ºC no abrigo e -9ºC na relva. Um frio brutal que transformou a maior riqueza do Paraná em cinzas. Em apenas um ano, 300 mil hectares de café foram erradicados. O estado, que chegou a concentrar metade da produção nacional na década anterior, viu o número de sacas colhidas despencar para zero em 1976.
“Foi catastrófico para o Paraná e, em especial, para os cafeicultores”, resume Paulo Sérgio Franzini, secretário-executivo da Câmara Setorial do Café do Paraná. “A geada foi branca e negra ao mesmo tempo. Atingiu plantações altas e baixas. Não sobrou nada.”
O impacto foi devastador. Famílias perderam tudo, muitos abandonaram suas terras, e o Norte do Paraná mergulhou numa crise profunda. Em Londrina, então conhecida como a capital mundial do café, o abalo foi duplo: econômico e emocional.
Mas a história não acabou ali. Na verdade, foi a partir da destruição que começou um novo capítulo.
Uma cidade que se reconstruiu
Após a geada de 1975, Londrina precisou se reinventar. O que parecia o fim revelou-se uma chance de recomeço. Muitos produtores, como o próprio Mauro Sato, decidiram replantar o café, mesmo com incertezas. Outros partiram para novas culturas, como a soja e o trigo, que começavam a despontar como alternativas mais viáveis e resistentes.
Foi também nesse período que Londrina começou a apostar na diversificação econômica. A agricultura deu lugar à agroindústria. O setor de serviços cresceu. A construção civil avançou. O comércio ganhou força. A Universidade Estadual de Londrina (UEL), criada poucos anos antes, tornou-se pilar do novo ciclo da cidade, formando profissionais e impulsionando áreas como saúde, tecnologia e pesquisa científica. Hoje Londrina é polo de Tecnologia da Informação.
O cafeicultor Geraldo Grecco, de 85 anos, lembra com dor daquela manhã congelante. “Você deitou com as lavouras verdes, e, ao clarear do dia, já estava tudo marrom. Perdi tudo.” Mesmo assim, ele não desistiu. “Teve que cortar no tronco. Quem teve coragem cortou e seguiu. Quem não teve, abandonou.”
E foi a coragem que prevaleceu.
Do trauma à reinvenção
A geada negra marcou o fim de um ciclo e o início de outro. Londrina, que já era grande, amadureceu. De cidade agrícola, passou a ser um polo regional com uma economia diversificada, urbana e moderna.
Hoje, a cidade mantém viva a memória de 1975 — não como lamento, mas como símbolo de superação. O café ainda é plantado, mas agora divide espaço com tecnologias, universidades, startups e um agronegócio muito mais robusto.
Passados quase 50 anos, Londrina segue crescendo, não mais à sombra dos cafezais, mas com raízes fincadas na capacidade de renascer, resistir e se reinventar.
















5 comentários
Luiz Flavio
Então Xabier, isto ocorre a nível federal também, foi a proposta do método de governo da extrema direita tendo como protagonista o Bozofacinazista.
Tóin
E eleitor sem vergonha?
Que vota em político sem vergonha?
Quem é pior?
Político não sobe do inferno, nem desce do céu.
É eleito pelos mesmos que o bajulam como sendo um dos melhores entre os seus.
Corrupto vota em corrupto.
Belinati foi eleito por quem?
Só a família dele empregada nas tetas públicas não dariam a vitória para essa alcateia.
História
Londrina vive de saltos
https://angelorigon.com.br/2025/07/17/cinquentenario-2/
E assombros
https://www.bocasanta.com.br/index.php?p=YWxyb3RsaXMvbWlyb3RhaUB6aHo6666YWQ9NjE2MTUyJmx1bW90ZV9vZGFjaWU9MzI1NA
E mais assaltos
Memória da corrupção em Londrina: 25 anos da cassação de Antonio Belinati.
Londrina está rememorando 25 anos da cassação do mandato de Antônio Casemiro Belinati e sua prisão após o roubo do dinheiro da venda das ações da telefônica estatal municipal Sercomtel para a COPEL no governo Jaime Lerner, quando tinha como vice-governadora Emília Salles Belinati.
https://encurtador.com.br/IvVak
Nirivaldo Sidellini
E a Maria Tereza foi lá abraçar o Antonio Belinati.
Xavier
Infelizmente, encontramos políticos ‘sem vergonha’ que prejudicam a cidade de forma significativa, muito mais do que qualquer benefício que possam trazer. Eles são como as geadas que assolaram os cafezais de Londrina, destruindo tudo o que é bom e produtivo. Em vez de permitir que a cidade siga seu curso normal, prosperando com o trabalho e a dedicação de seus cidadãos, esses políticos desviam o caminho, causando danos irreparáveis e deixando apenas destruição e prejuízos.