
As imagens gravadas pela influencer Luana Dellevedove de Antônio Rueda, presidente do União Brasil e candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, apenas de cueca num quarto de motel já não causam tanta estranheza na baixaria que virou a política brasileira. E olha que a mulher acusou Rueda de violência física e psicológica. Mas há tantos escândalos acontecendo ao mesmo tempo no país que o caso de Rueda se tornou apenas mais um entre tantos no atual contexto.
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Mas houve época que o rigor era maior com as pequenas e grandes bandalheiras dos políticos.
Um caso clássico é o da primeira cassação de mandato por falta de decoro parlamentar, ocorrida na primeira metade do século passado.
A história de Edmundo Barreto Pinto é um dos episódios mais célebres do folclore político brasileiro, em 1946, Barreto Pinto era deputado federal pelo PTB do Rio de Janeiro. Conhecido por seu estilo extravagante, ele foi procurado por dois nomes gigantes do jornalismo e da fotografia da época: o repórter David Nasser e o fotógrafo Jean Manzon, da icônica revista O Cruzeiro.
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David Nasser convenceu o deputado a posar para uma reportagem que mostraria como era a elegante vida noturna de um parlamentar na então capital federal. A armadilha jornalística foi sutil: Nasser sugeriu que, para economizar tempo trocando de roupa durante as fotos no apartamento, Barreto Pinto vestisse apenas a parte superior do traje formal (paletó de casaca/fraque e gravata borboleta) mantendo a cueca na parte inferior. O jornalista argumentou que enquadraria a imagem da cintura para cima.
Na edição de 29 de junho de 1946, a revista publicou o perfil sob o título “Barreto Pinto sem máscara”. Para a surpresa e desespero do parlamentar, Manzon usou um plano aberto de corpo inteiro: a foto estampava o deputado vestindo fraque, gravata borboleta e uma cueca samba-canção. Além dessa imagem, a reportagem o mostrou em uma banheira atendo ao telefone.
A publicação causou um escândalo moral sem precedentes na sociedade carioca e nos meios políticos da época.
O episódio gerou forte comoção e indignação na Câmara dos Deputados. Os parlamentares consideraram que a conduta de Barreto Pinto aviltou a dignidade e a imagem do Poder Legislativo.
Em 1949, após processo interno, o plenário da Câmara votou e aprovou a cassação do mandato de Edmundo Barreto Pinto sob a acusação de falta de decoro parlamentar.
Barreto Pinto ainda tentou recorrer à Justiça e processar a revista por calúnia e danos morais, alegando ter sido enganado pela dupla de jornalistas, mas a decisão do Congresso foi mantida e ele se afastou definitivamente da vida pública.














