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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Começam as primeiras prisões ligadas ao Orçamento Secreto

Por Cláudio Osti
7 comentários
Começam as primeiras prisões ligadas ao Orçamento Secreto

da Revista Piaui

Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (14) os primeiros investigados por crimes relacionados ao orçamento secreto – o esquema pelo qual, em troca de apoio no Congresso, o governo Jair Bolsonaro direciona verbas públicas para atender deputados e senadores sem que eles sejam identificados. Os dois presos, os irmãos Roberto e Renato Rodrigues de Lima, são suspeitos de atuar em uma ampla rede criminosa envolvendo o Sistema Único de Saúde (SUS) em municípios do Maranhão.  Como revelou investigação da piauí na reportagem Farra ilimitada, o esquema funcionava da seguinte forma: as prefeituras registravam atendimentos médicos e consultas que nunca existiram, e enchiam o cofre com dinheiro vindo de emendas parlamentares do orçamento secreto.

A operação da PF, autorizada pela Justiça Federal no Maranhão, mira as fraudes no SUS e contratos irregulares da Secretaria Municipal de Saúde de Igarapé Grande. Só nessa cidade, com cerca de 12 mil habitantes, o esquema teria servido para desviar pelo menos 7 milhões de reais originados do orçamento secreto. A secretária de saúde de Igarapé Grande, Raquel Inácia Evangelista, foi afastada do cargo e é alvo de busca e apreensão junto com o antecessor no cargo, Domingos Vinícius de Araújo Santos. Igarapé Grande tem como prefeito Erlânio Xavier, presidente da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem) e aliado do senador Weverton Rocha, ambos do PDT.

O nome da operação é Quebra Ossos, referência a um dos tipos de exames fantasmas registrados pela prefeitura de Igarapé Grande, as radiografias de dedo de mão. No ano de 2020, o município disse que fez 12,7 mil exames do tipo – o quarto maior número entre todas as cidades do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte.

Nas planilhas oficiais do Congresso, Roberto Rodrigues de Lima aparece como solicitante de 69 milhões de reais em emendas de relator-geral do orçamento para municípios do Maranhão, só neste ano. Sem mandato, ele é um dos “usuários externos” que passaram a assumir solicitações de emendas do orçamento secreto, após o Congresso resolver descumprir a decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou ampla publicidade às indicações. Deputados e senadores que não querem aparecer se escondem por trás de “usuários externos”, que funcionam como laranjas. Ou seja: a solicitação é feita por esse “usuário secreto”, mas o nome do parlamentar continua em segredo.

Um trecho da decisão do juiz federal substituto Deomar da Assenção Arouche Júnior qualifica como “famigerado” o orçamento secreto. “(A Polícia Federal) Argumenta, em síntese, que, no âmbito do município de Igarapé Grande/MA, os representados participaram de empreitada para inserir informações superestimadas de produção em sistemas eletrônicos do Sistema Único de Saúde – SUS, com o intuito de majorar indevidamente o teto de repasse de ações e serviços de média e alta Complexidade financiados com recursos de emendas parlamentares do famigerado ‘orçamento secreto’ (emendas RP 9), desviando os recursos através de contratos administrativos fraudulentos”, diz trecho da decisão.

A investigação sobre Roberto e Renato Rodrigues de Lima, que são irmãos, é fundada na suspeita de que eles atuaram para fraudar o SUS e aumentar os valores que os municípios podem receber. Eles controlam a empresa RR de Lima, que tem contratos com várias cidades maranhenses onde também foram inseridos dados superestimados de atendimentos, segundo a PF. No caso de Igarapé Grande, Roberto Lima solicitou no Sistema de Indicações Orçamentárias (Sindorc), do Congresso, e obteve aprovação do relator-geral do orçamento, Hugo Leal (PSD-RJ), para um repasse de 9,2 milhões de reais na área da saúde. Desse total, ao menos 4,4 milhões já caíram nos cofres do município. (leia mais)

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Cláudio Osti
Cláudio Osti

Jornalista e editor do Paçoca com Cebola. Cobre a política de Londrina e do Paraná.

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7 comentários

  • PDT que apoia Lula.
    Só isso?
    Já não basta o Maranhão ser o Maranhão

    • Esse negócio de associar Lula ao esquema do orçamento secreto do Lira e do Bolsonaro não tem fundamento. No caso do Maranhão, o candidato a governador apoiado pelo partido do Bolsonaro foi o senador Weverton Rocha (teve apenas 20% dos votos) que é do… PDT! Talvez o senhor agora possa entender melhor como uma verba foi liberada sem nenhum cuidado pelo governo Bolsonaro para uma prefeitura comandada por um aliado do senador Weverton Rocha (PDT). Entendeu ou preciso desenhar?

  • As ações aconteceram em Igarapé Grande, Lago do Junco, Lago dos Rodrigues, Caxias e Timon no Maranhão. Além de Parnaíba e Teresina, no Piauí.

    https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2022/10/14/policia-federal-prende-dupla-suspeita-de-inserir-dados-falsos-no-sus-para-desviar-dinheiro-no-maranhao.ghtml

  • Esperaram alguma coisa diferente de uma administração do PDT do ilibado Carlos Lupi, apoiador incondicional do Loola e do PT? Escrevi aqui mesmo nesse blog, semana passada. Já esqueceram da Operação Antissepsia do GAECO de Londrina? Loola, com apoio do PDT vai arrasar…….kkkkkkkkkkkk

    • Quá! Quá! Quá! Concordo, Lula vai arrasar no dia 30 de outubro. Principalmente agora que católico não vota em Bolsonaro. Quá! Quá! Quá!

  • Betinho Soares

    Título muito bem dito. Virão outras com certeza. Não deu nem tempo de acabar o mandato do Tinhoso e o Bolsolão já está nu.

  • Mateus Oliveira

    Como Bolsonaro tentou tirar o corpo fora da responsabilidade da aprovação do “orçamento secreto”, os bolsominions tentam fazer parecer que os beneficiários do esquema são petistas ou aliados de petistas. Obviamente que a farra do “orçamento secreto” atinge bolsonaristas de todos os partidos. Quem lê a notícia completa e não tira conclusões apressadas pelo fato de o prefeito citado ser do PDT vai entender que o “orçamento secreto” é mágica de político corrupto para fugir da Lei da Transparência. Essa picaretagem garantiu o apoio a Bolsonaro na Câmara Federal comandada pelo honestíssimo Lira. A aberração do “orçamento secreto” é tão grande que criou a figura do usuário externo. Imaginem! Qualquer cidadão (e só pode ser aliado de quem distribui essas verbas e de quem autoriza o pagamento delas, Lira e Bolsonaro, portanto) pode solicitar essas verbas. Nesse caso, o solicitante era um empresário e político sem mandato. Então, devotos do mi(n)to, assumam esse monstro porque quem deu vida a ele foi o chefe da sua seita.

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