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Cláudio Osti

STF autoriza investigação para apurar possível tráfico de influência de Lulinha, o filho de Lula

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de O Globo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de uma investigação para apurar a suspeita de que Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenha cometido o crime de tráfico de influência e corrupção, após pedido da Polícia Federal (PF). Lulinha, como é conhecido o primogênito de Lula, já era investigado em um dos inquéritos que busca esclarecer as fraudes nos descontos de aposentados do INSS. A PF, porém, abriu um novo caminho ao associar possíveis ilícitos na conduta de Fábio Luís na comercialização de cannabis medicinal, com ligações com servidores do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial.

Ao seguir uma trilha diferente do caso do INSS, a corporação pediu a redistribuição do caso Lulinha, que estava sob a relatoria de Mendonça. A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com a solicitação e, então, foi procedida a redistribuição, mas o inquérito caiu novamente nas mãos de Mendonça. O magistrado então autorizou a nova investigação.

No pedido, a Polícia Federal solicita ao STF autorização para compartilhar provas produzidas na Operação Sem Desconto, a investigação que apura o esquema de desvios de recursos do INSS e que é relatada por Mendonça.

A suspeita que recai sobre o filho do presidente da República é ter atuado junto ao governo federal para benefício próprio. Lulinha teria atuado com a empresária Roberta Luchsinger, além do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”. A representação encaminhada ao STF resume o caso em 34 páginas.

Na representação endereçada ao STF, a PF faz referência a contatos de um dos envolvidos no caso com uma pessoa descrita como de “grande influência” no gabinete presidencial.

Uma testemunha contou à PF que Luchsinger era o elo entre o lobista e o filho do presidente. Foi ela, inclusive, quem apresentou os dois. Antunes tinha uma longa trajetória no ramo farmacêutico, mas vinha tentando se firmar no mercado de canabidiol por meio da sua empresa, a World Cannabis.

Luchsinger, por sua vez, tem uma empresa de consultoria especializada em fazer a ponte entre empresários e órgãos públicos.

Em depoimento, a empresária relatou que Lulinha tinha uma “curiosidade” sobre o assunto em razão de alguns dos seus familiares fazerem tratamento com medicamentos à base de cannabis. Isso teria levado o Careca do INSS a convidar Lulinha a viajar juntos à Europa, em novembro de 2024, de acordo com a versão dela.

A empresária prestou serviços de consultoria ao careca do INSS, recebendo R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de R$ 300 mil. Os dados constam da quebra do sigilo fiscal do lobista.

O trabalho previa tentar viabilizar um contrato no Ministério da Saúde para disponibilizar medicamentos feitos de cannabis ao Sistema Único de Saúde (SUS) — mas o plano não foi adiante.

Um áudio de WhatsApp, obtido pelo GLOBO, mostra Luchsinger tratando com Antunes sobre maneiras de conseguir um acordo com dispensa de licitação.

— É contratação, sim. Ele sabe que é dispensa. É a nova lei das licitações, não sei se você já deu uma lida. Devido ao cenário de emergência, podemos criar um documento bem robusto pedindo a dispensa de licitação — diz ela ao Careca do INSS, no início de 2025.

Procurada, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que não teve acesso ao eventual novo pedido da Polícia Federal e disse que, sem conhecer os autos, não pode comentar concretamente a investigação. O advogado Guilherme Suguimori Santos afirmou, no entanto, que será preciso esclarecer qual seria a justificativa para a competência do STF e sustentou que a abertura de um novo inquérito, caso confirmada, demonstraria que a investigação da Operação Sem Desconto não encontrou qualquer elemento que ligasse Fábio Luís às fraudes no INSS. Segundo ele, o empresário “nunca teve relação nenhuma com esse escândalo” e uma nova apuração poderia configurar uma “pescaria probatória”.

A defesa de Roberta, por sua vez, disse que não foi informada sobre a instauração de um novo inquérito e afirmou que os fatos relacionados aos repasses do INSS e ao eventual desvio de verbas públicas já são objeto de investigações em andamento. Em nota enviada por seu advogado, Bruno Salles Ribeiro, a defesa sustentou que “não haveria razão para a instauração de um novo inquérito policial” e comparou a hipótese a uma “investigação em melhor de três”, afirmando que a reabertura de apurações encerradas às vésperas do processo eleitoral não faria sentido, a não ser para exploração política.

Procurada, a defesa do Careca do INSS disse “não ter conhecimento sobre o tema, nem sobre tal pedido”.

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7 comentários

  • Imagino que deva ter bastante coisa nisso aí, inclusive ele foi pego andando com o careca do INSS, mas acho que vai dar em nada e isso só vai servir de material de campanha pro Zé Pilantra.

    • Emílio Inácio

      Interessante seu raciocínio. Lulinha então andava com o tal Careca do INSS? Que crime grave pra ser investigado pelo ministro nomeado pelo Bolsonaro, não é mesmo? A propósito, o sócio do Careca do INSS, Alexandre dos Reis, é irmão da administradora do “escritório de advocacia” do Flávio Bolsonaro, Letícia dos Reis. Será que o ministro do STF já mandou investigar a fundo o sócio do Careca do INSS, sua irmã e o patrão dela, que é filho nomeado candidato pelo pai que indicou esse ministro?

  • Jordão Bruno

    O pastor ministro saca rápido a arma quando o alvo é o Lulinha. No caso do irmão de fé, o também convertido evangélico e candidato da direita, Flávio Bolsonaro, até agora o ministro terrivelmente evangélico nada fez. E olhe que há muito tempo foi divulgado o papo, também entre irmãos evangélicos, onde Flávio B. pede mais dinheiro a Vorcaro. Depois se revelou que Flávio B. recebeu milhões de Vorcaro, converteu isso em milhões de dólares que foram enviados aos Estados Unidos para abastecer um fundo de investimento administrado pelo irmão de Flávio B., fugitivo do Brasil. Será, por acaso, um caso de proteção de irmãos na fé? Para o inimigo, a dura lei. Para irmão de fé, o perdão celestial e legal…

  • Imagina que o filho do homem mais honesto do mundo, vai estar envolvido com algo errado, além de ser o maior empresário do planeta, depois de ser promovido de catador de estrume de elefante no zoológico de SP a empresário multi milionário,
    Isso é persiguição evidentemente.

  • Pragmático

    Lulinha já foi dono do Frigoboi, JBS, teve camaro de ouro, foi investigado durante o governo Bolsonaro e não encontraram nada até hoje. Mas se tem algum indício deve ser investigado mesmo e se for culpado cumprir pena, afinal não é melhor ou pior do que outra pessoa. Ainda bem que o Lula já falou que não vai proteger, diferente do outro presidente que disse que iria influenciar na Polícia Federal porque ninguém iria F*der com os filhos deles. Enquanto isso estamos esperando o contrato que o Flavio iria apresentar em 30 dias do dinheiro do Vorcaro e passaram 60 sem nada acontecer. Justiça igual para todos.

  • Incrédulo

    Isso cheira mal, na CPMI do INSS o Lulinha saiu ileso, o terrivelmente evangélico não esqueceu porque o filho do padrinho insiste.

    • Emílio Inácio

      Lulinha saiu ileso, porque não havia provas contra ele. Na CPMI controlada por dois bolsonaristas, a acusação de alguém de que Lulinha recebia mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS foi o suficiente para a quebra do sigilo fiscal e bancário de Lulinha. Os bolsonaristas usaram uma lupa para encontrar pelo menos um depósito de R$ 300 mil na conta de Lulinha feito pelo Careca do INSS. Pelo jeito, não encontraram nem mesmo um depósito de R$ 30,00. Mas o mais interessante (e com certeza o mais ilegal) é que Lulinha não tem foro privilegiado. Então o ministro do STF está ceifando em plantação que não é dele.

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