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Cláudio Osti

Novos prefeitos investirão em tecnologia para sair da mesmice

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Opinião

Por José Marinho, diretor da Rede Cidade Digital

Com boa parte dos municípios brasileiros ainda dependendo de recursos federais para cobrir despesas, os prefeitos eleitos para o mandato de 2017 a 2020 assumem em janeiro ansiosos por executar as obras prometidas durante campanha. Mas, acima de tudo, têm um desafio ainda maior: sair da mesmice. Prova disso é que nos 399 municípios do Paraná, 76% dos prefeitos eleitos, portanto, 299  cidades, incluíram nos planos de governo o uso de tecnologia para aprimorar algum setor da esfera pública. É a forte tendência e necessidade de se incorporar inovação em uma administração, na maioria delas, ainda analógica diante de um cidadão cada vez mais conectado e exigente.

A consulta feita pela Rede Cidade Digital (RCD) às propostas protocoladas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforça a importância das Tecnologias da Informação e Comunicação para aprimorar e dar mais eficiência aos mais diversos setores. Segurança pública é área mais lembrada (72 municípios, que representam 18%), com a diretriz para implantação de câmeras de monitoramento. Educação e a Informatização em diversos setores também aparecem com grande margem (64 municípios cada ou 16%).

Ao todo, os planos de governo englobam mais de mil itens fazendo referência a investimentos nas Tecnologias da Informação e Comunicação. A Saúde é outro setor entre os mais citados por 48 municípios (12%), com a carência de integração entre as unidades, prontuário eletrônico, agendamento de consultas online e equipamentos como tablets para coleta de dados dos agentes comunitários. Aliás, a informatização da Saúde nos municípios paranaenses deve crescer, assim como em todo o país, já que se corre o risco de quedas de repasse do Ministério pela não implantação do prontuário eletrônico. Porém, antes de tudo, é necessário que hajam investimentos em infraestrutura para baratear os custos e economizar ao longo do tempo por meio das cidades digitais.

São inúmeras as ferramentas que desburocratizam a gestão, melhoram o atendimento ao cidadão, aumentam a arrecadação e fomentam o desenvolvimento econômico e social. Neste sentido, os prefeitos eleitos também citaram ações de incentivo a startups, criação de parques tecnológicos, apoio ao empreendedorismo, agricultura e arranjos produtivos locais voltados para empresas de tecnologia.

Esta inserção de uso de tecnologias nos planos de governo indica que os prefeitos estão atendendo à demanda social. Afinal, os planos e programas de governo são elaborados, sempre, para atrair o eleitor e reflete justamente o que as pessoas desejam, por meio de pesquisas e consultas de opinião pública. Ou seja, as pessoas não vivem mais longe de conectividade e foi-se o tempo em que o anseio se restringia a capitais e a grandes centros.

Na zona rural não é diferente. As cidades digitais precisam incluir o campo, porque ali moram pessoas que têm as mesmas necessidades e direitos das demais. Durante o 4º Congresso Paranaense de Cidades Digitais, realizado na bela e organizada Maringá (e inteligente!), o engenheiro agrônomo da Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), Celso Daniel Seratto, destacou que o potencial de economia do setor no Estado pode chegar a 345 milhões de dólares, caso pelo menos metade das propriedades façam uso de ferramentas tecnológicas.

Atualmente, o percentual que utiliza chega a apenas 10%, pois acabar com a falta de conectividade depende de política pública, de parcerias público-privadas para levar o sinal de internet a estas localidades. E as dificuldades não se limitam aos jovens, que preferem a cidade pelas facilidades da web, mas também atingem o produtor. Aqueles que estão conectados, via whatsaap, email e sites, lembra o engenheiro da Emater, conseguem economizar até R$7 mil reais a cada 10 mil alqueires, permitindo a economia de quatro a oito sacas por hectare em relação aos produtores que não adotam as tecnologias. É um dinheiro que deixa de ser exportado, conforme observou ele, sobre o universo de 5,2 milhões de hectares de terras em produtividade no Paraná.

Ou seja, aquele município que pretende crescer, se desenvolver, não pode mais pensar na geração de empregos e melhoria na qualidade de vida das pessoas sem a adoção de tecnologia.  Ainda assim, 25% dos prefeitos eleitos do Paraná (98 cidades) não citaram o uso de tecnologia em seus planos de governo. Certamente vão, no decorrer da gestão, se verem obrigados a rever seus planos e também a agirem para saírem da era analógica. Não tem volta. E quem ficar parado perderá o bonde da história.

Sobre a Rede Cidade Digital – Iniciativa apartidária criada há cinco anos para estimular o aprimoramento dos serviços públicos e crescimento econômico, principalmente de municípios menores, por meio das Tecnologias da Informação e Comunicação. Desde então, promoveu mais de 30 fóruns regionais de cidades digitais e cinco congressos estaduais, gratuitos para servidores municipais e abrangendo os três estados do Sul, como forma de levar informação sobre os benefícios e impactos de investir no setor.

Realizados em parceria com Prefeituras e Associações de Municípios, os eventos são direcionados a prefeitos, gestores e vereadores que têm pouco ou nenhum acesso a esse tipo de conhecimento, geralmente concentrado em grandes centros. O objetivo é aproximar os administradores públicos das novas tecnologias e do mercado fornecedor de tecnologia, interessado em levar soluções aos pequenos municípios. O principal meio de comunicação é o portal redecidadedigital.com.br. Em 2017, o planejamento da RCD envolve também a realização de eventos em outros dois estados: São Paulo e Minas Gerais.

 

Informações sobre o calendário de eventos da RCD em 2017 e como diversas Prefeituras pelo país têm investido em tecnologia podem ser obtidas pelo http://redecidadedigital.com.br/

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