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Cláudio Osti

O satânico Dr. Me

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O satânico Dr. Me
Foto: Mendonça recebe um afago de Bolsonaro ao ser empossado ministro da Justiça – o “ungido”

José Antonio Pedriali

Quis o destino que André Mendonça, escolhido por Jair Bolsonaro para integrar o STF por ser “terrivelmente evangélico”, assumisse a relatoria de dois casos extremamente sensíveis – o desvio de recursos de aposentados por instituições credenciadas no INSS e o escândalo do Banco Master. E isso às vésperas da eleição para a presidência, com a qual o chefe da tentativa de golpe de estado de 2022/23 tenta retomar o poder por intermédio de seu filho Flávio.

Mendonça tem atuado nos dois casos com a mesma fidelidade canina que demonstrou a Bolsonaro quando chefe da AGU e ministro da Justiça: 1) vazando informações que comprometem o entorno de Lula (seu filho Fábio Luís, o Lulinha, foi até recentemente alvo de vazamentos praticamente diários na frustrada tentativa de associá-lo ao roubo dos aposentados); 2) direcionando o trabalho da Polícia Federal, o que é vedado por lei; 3) expondo seu colega Alexandre Moraes ao quebrar o sigilo das ligações que recebeu do banqueiro Daniel Vorcaro, com o qual sua esposa mantinha um contrato comercial milionário; e 4) abafando sistematicamente o relacionamento promíscuo de Flávio Bolsonaro com o mesmo Vorcaro.

Moraes foi o relator dos processos que condenaram Bolsonaro e seus cúmplices por tentativa de golpe de estado e crimes correlatos. Mendonça agiu nesses processos como defensor dos réus – condição que compartilhou com Nunes Marques, outro indicado por Bolsonaro -, sendo vencido em todos os julgamentos. A quebra de sigilo das ligações (impróprias, convenhamos) de seu colega com o banqueiro foi uma clara vendeta pelas derrotas que sofreu em plenário e, sobretudo, pela punição dada a quem o indicou para o cargo na corte suprema.

Após apunhalar o colega – ato sem precedente no STF -, Mendonça gravou um vídeo pedindo orações. Só mesmo um “terrivelmente inescrupuloso” ousaria elevar ao plano espiritual seu trabalho temporal, ferindo assim o princípio basilar do estado laico, do qual é servidor. Seu apelo frutificou: a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro – aquela dos R$ 89 mil depositados por Queiroz -, que teve um surto místico após a aprovação de Mendonça para o STF pelo Senado (lembram-se?), o canonizou publicamente, classificando-o como “ungido do Senhor”. E Mendonça foi o personagem oculto das manifestações bolsonaristas de ontem, que o trataram como o enviado divino para punir o cruel Xandão.

Mendonça conseguiu, em poucos meses após assumir as relatorias dos casos INSS e Master, o que Bolsonaro tentou em vão nos quatro anos de sua desastrosa passagem pela presidência da República: implodir o STF e interferir na Polícia Federal – primeiro direcionando investigações, agora destituindo seu diretor-geral. E, ainda, dar um salvo-conduto para o 01 corrupto e patrono das milícias consumar o projeto do pai golpista.

Nem Ian Fleming, autor de “O Satânico Dr. No”, que gerou o primeiro filme da série 007, em 1962, seria capaz de conceber um roteiro tão mirabolante – e pressago. No filme, o famoso agente secreto vence o mau, que planejava destruir o programa espacial americano; na vida real, o Satânico Dr. Me se disfarça de “terrivelmente evangélico” para devolver o poder aos que tentaram – e estão dispostos a tentar de novo – destruir o Estado Democrático de Direito.

Em tempo: que moral tem Mendonça para julgar o Caso Master se ele se reuniu secretamente com Vorcaro na sede do instituto que presidia para tratar de um assunto de interesse do banqueiro junto ao Banco Central e mandou um assessor entrevistá-lo na cadeia sem o conhecimento da PF?

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7 comentários

  • Pragmático

    André Mendonça assumiu a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro

    • Jordão Bruno

      E vestiu o modelito 10% de Jair M. Bolsonaro. E continua enganando idiotas com sua voz melíflua.

  • Edward Layton

    Nunca confie em um homem que tenta desesperadamente esconder a calvície. São capazes de tudo.

  • José Prestes

    Mendonça é o soldado do momento do exército golpista que pretende entronizar o filho do golpista-mor, senador Flávio Bolsonaro, no reinado de todo o país. Flávio Bolsonaro também é tratado como outro ungido por Deus para governar o Brasil. Já está até prometendo apagar da constituição a laicidade do nosso país e declará-lo como país de Cristo. É uma besteira sem tamanho mas esse tipo de besteira já provocou a morte de milhões de pessoas na história universal.

  • Mister Londrino

    Em conformidade com a Constituição da República, a reputação ilibada constitui um dos requisitos para ocupar assento na mais elevada Corte de Justiça (Supremo Tribunal Federal) do país. Lamentavelmente, a referida condição moral não está sendo observada na escolha dos Excelsos Magistrados.

  • Diante do Golpe 2.0 se o Lula conseguir o Tetra pode canonizar.

  • Pragmático

    Independente de quem esteja envolvido todos esses casos devem ser investigados, porém a seletividade que as informações foram sendo divulgadas atingindo somente o filho do Lula, que nem candidato é, enquanto o Flávio que e candidato, primeiro negou depois disse que haver a pedido dinheiro, uma valor superior a 70 milhões já recebidos e mais 50 milhões que ainda não apareceram, a investigação não andou. Infelizmente essa eleição está maculada. O filho do Lula toda eleição passa por uma investigação, já foi dono da Friboi, da JBS, da Havan, dono de fazenda gigantesca no Pará, dono de uma Ferrari de ouro e nada foi provado. Estamos caminhando para uma eleição fraudada, manchada por atos ilegais s e mentiras

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