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Cláudio Osti

30 brasileiros jogando a Copa

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30 brasileiros jogando a CopaPor Marcos Defreitas

Dizem que o Brasil levou 26 jogadores para a Copa do Mundo de 2026. Mentira estatística. Frieza de planilha. O Brasil levou 30.
Os 26 vestem a camisa amarela. Os outros quatro carregam o Brasil escondido no sotaque, na certidão de nascimento, nas lembranças de infância e naquele mistério que faz um homem atravessar oceanos sem jamais abandonar a terra onde nasceu.
30 brasileiros jogando a CopaO futebol moderno espalhou brasileiros pelos quatro cantos do planeta. E a Copa, esse baile de fantasmas e bandeiras, voltou a reunir alguns deles.
Matheus Nunes nasceu no Rio de Janeiro. Cresceu longe da pátria e escolheu Portugal. Maurício percorreu as categorias de base da Seleção Brasileira antes de encontrar no Paraguai o caminho para realizar o sonho de disputar uma Copa do Mundo. E já deixou sua marca no torneio ao marcar contra os Estados Unidos (4 × 1), mesmo na derrota paraguaia. Lucas Mendes atravessou o mundo até se tornar um dos pilares da defesa do Catar. Edmilson Junior, filho de uma geografia afetiva espalhada entre continentes, também defende os cataris.
São adversários do Brasil. Mas ninguém apaga o fato essencial. Antes de qualquer hino, antes de qualquer passaporte, antes de qualquer juramento esportivo, eles nasceram aqui.
Houve um tempo em que as fronteiras do futebol eram ainda mais elásticas. A Copa conheceu homens que trocaram de camisa nacional como quem atravessa uma porta da História.
O caso mais extraordinário foi o de Dejan Stanković. O mesmo jogador disputou Mundiais por três países diferentes. Primeiro pela Iugoslávia. Depois por Sérvia e Montenegro. Por fim pela Sérvia. Não mudou de pátria. Foi a pátria que mudou ao seu redor.
Ferenc Puskás vestiu a Hungria de 1954 e a Espanha de 1962. José Santamaría saiu do Uruguai para defender os espanhóis. Robert Prosinečki jogou pela Iugoslávia e depois pela Croácia. Luis Monti foi vice-campeão pela Argentina em 1930 e campeão pela Itália em 1934. Attilio Demaría percorreu caminho semelhante. Juan Alberto Schiaffino brilhou pelo Uruguai e mais tarde pela Itália.
E houve também um brasileiro.
José João Altafini. Para nós, simplesmente Mazzola.
Campeão do mundo pelo Brasil em 1958, voltou ao palco das Copas em 1962 usando a camisa da Itália. Tornou-se um dos raríssimos homens a viver os dois lados desse espelho.
Hoje isso não seria mais possível. A Fifa endureceu as regras. Quem entra oficialmente em campo pela seleção principal de um país fica, em regra, ligado para sempre àquela camisa.
Talvez seja melhor assim. Talvez não.
O fato é que a Copa de 2026 já começou e já revela novamente histórias que desafiam mapas, bandeiras e fronteiras. Histórias de homens que carregam mais de uma pátria no coração.
Por isso, agora que a bola já rola na América do Norte, o Brasil não tem apenas 26 representantes.
Tem 30.
Vinte e seis estão vestidos de amarelo.
Os outros quatro estão espalhados pelo mundo, lembrando que o futebol brasileiro exporta muito mais do que jogadores. Exporta destinos.

Marcos Defreitas é jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e colunista convidado para esta Copa do Mundo

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