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Cláudio Osti

Filiados ao partido NOVO do Paraná e Santa Catarina criticam Zema que quer se distanciar de Flávio Bolsonaro

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Os diretórios estaduais do partido Novo no Paraná e em Santa Catarina abriram uma crise interna após a reação do ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato ao Planalto, Romeu Zema, aos áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O episódio expôs o movimento cada vez mais evidente de Zema para se descolar do bolsonarismo tradicional e ocupar um espaço próprio dentro do eleitorado de direita para 2026.

Nos bastidores, integrantes do Novo enxergaram no vídeo divulgado por Zema uma tentativa clara de marcar independência em relação ao núcleo político da família Bolsonaro. O ex-governador classificou as revelações envolvendo Flávio como “um tapa na cara do Brasil” e uma atitude “imperdoável”, provocando forte reação de aliados do senador.

A ofensiva, porém, encontrou resistência dentro do próprio Novo. Em nota, o diretório paranaense afirmou que a divulgação do vídeo foi “precipitada” e criou “ruídos desnecessários” nas alianças estaduais já firmadas com o PL. No Paraná, o partido aposta numa composição ao lado dos bolsonaristas, lançando a pré-candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado em uma chapa alinhada ao partido de Jair Bolsonaro.

O comunicado ainda destacou que manifestações dessa natureza deveriam passar por alinhamento prévio com a direção nacional da legenda. A sigla reforçou que a parceria com o PL no estado “permanece sólida”, sustentada pela oposição ao PT e à esquerda.

Em Santa Catarina, onde o Novo integra a base do governador Jorginho Mello, o diretório estadual adotou tom semelhante e também classificou a reação de Zema como “precipitada”. A crise aumentou após a deputada federal Júlia Zanatta afirmar que existe um clima dentro do PL nacional favorável à suspensão das alianças com o Novo em diversos estados.

O desgaste evidencia uma mudança de postura de Zema. Nos últimos anos, o ex-governador mineiro buscou aproximação com o eleitorado conservador e chegou a ser cogitado como possível vice em uma chapa ligada ao bolsonarismo. Agora, no entanto, o mineiro tenta construir uma imagem de liderança independente da família Bolsonaro, mirando justamente o eleitor de direita que demonstra desgaste com as polêmicas envolvendo Flávio.

A movimentação também carrega um componente estratégico. Zema já protagonizou embates públicos com o Supremo Tribunal Federal, especialmente com o ministro Gilmar Mendes, o que lhe garantiu visibilidade entre setores conservadores e antipetistas. Em diferentes ocasiões, o ex-governador criticou decisões da Corte e acusou o STF de extrapolar suas funções, aproximando-se do discurso tradicional da direita bolsonarista — mas sem carregar o desgaste direto da família Bolsonaro.

Nos bastidores da política nacional, aliados enxergam que Zema tenta repetir uma estratégia semelhante à adotada por outros presidenciáveis de direita: manter o discurso conservador e crítico ao STF, mas sem ficar totalmente subordinado ao clã Bolsonaro. A avaliação entre interlocutores é de que o mineiro busca ocupar um espaço que pode surgir caso Flávio Bolsonaro enfrente desgaste definitivo diante das denúncias envolvendo Daniel Vorcaro.

No Paraná, a crise também virou munição da esquerda. A presidente nacional do PT e pré-candidata ao Senado, Gleisi Hoffmann, passou a cobrar posicionamentos do senador Sergio Moro e de Deltan Dallagnol sobre o caso Master, tentando associar os aliados do bolsonarismo ao escândalo que atingiu Flávio Bolsonaro.

Com informações de O Globo

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