A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (15) a Operação Sem Refino, que investiga um suposto esquema de ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos para o exterior envolvendo um conglomerado do setor de combustíveis. A ação mira empresas e operadores suspeitos de utilizar uma complexa estrutura societária e financeira para esconder patrimônio e praticar fraudes fiscais.
Entre os principais alvos da operação está o empresário e advogado Ricardo Magro, controlador do grupo Refit, dono da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Magro teve a prisão preventiva decretada e foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol. Atualmente, ele vive em Miami, nos Estados Unidos.
Inscreva-se e receba as notícias do Portal no whatsapp
Além do empresário, o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), também foi alvo da operação. Agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão em um apartamento ligado a Castro, localizado em um condomínio na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. A operação foi realizada em parceria com a Receita Federal.
O STF também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas. Segundo a PF, as investigações apontam possíveis fraudes fiscais, ocultação patrimonial e irregularidades relacionadas à operação de uma refinaria vinculada ao grupo empresarial.
A Operação Sem Refino integra as apurações conduzidas no âmbito da ADPF 635/RJ, conhecida como “ADPF das Favelas”, que investiga a atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no estado do Rio de Janeiro.
Quem é Ricardo Magro
Ricardo Magro, de 52 anos, nasceu em São Paulo e é formado em Direito. Ele ganhou notoriedade no mercado de combustíveis após assumir o controle do grupo Refit em 2008. Desde então, passou a enfrentar sucessivos embates judiciais e fiscais com estados e a União. As dívidas atribuídas ao conglomerado ultrapassariam R$ 26 bilhões.
Em novembro do ano passado, o grupo já havia sido alvo da Operação Poço de Lobato, coordenada pela Receita Federal. As investigações apontaram supostas fraudes tributárias estimadas em cerca de R$ 350 milhões por mês, envolvendo distribuidoras, importadoras, postos de combustíveis, fundos de investimento e empresas de fachada no Brasil e no exterior.
Magro também chegou a ser preso em 2016 durante a Operação Recomeço, que investigou desvios de aproximadamente R$ 90 milhões dos fundos de pensão Petros e Postalis. Posteriormente, ele acabou absolvido pela Justiça.
O empresário também ficou conhecido por ter atuado como advogado do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.
Nos últimos meses, Ricardo Magro entrou na mira do governo federal. Em dezembro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou publicamente ter discutido o caso com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendendo a prisão do empresário em território americano.
Reportagem exibida pelo programa Fantástico, em novembro de 2025, mostrou que Magro leva uma vida de luxo em Miami, com um iate avaliado em R$ 9 milhões e um jato estimado em R$ 25 milhões, enquanto é alvo de investigações conduzidas pela Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público de São Paulo.
*Com informações da Polícia Federal e O Globo














