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domingo, 1 de novembro de 2026
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Lenda urbana ou o lago Igapó será mesmo desassoreado?

Por Cláudio Osti
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Lenda urbana ou o lago Igapó será mesmo desassoreado?
Lago Igapó 1 – foto Vivian Honorato – N.COM

Os lagos Igapó em Londrina já foram palcos de apresentações artística, show das águas, peças teatrais, competições nacionais e até internacionais de canoagem, jetski, etc. Foi local de treinamento dos atletas da seleção brasileira de canoagem.

E desde há muitos anos discute-se o desassoreamento do local. Ainda no governo Nedson, e lá se vão vinte anos, já se falava nisso mas nunca avançou realmente.

Parece até lenda urbana.

Mas, enfim. Mais uma esperança para o londrinense está chegando.

Informa a o poder público que um projeto para desassoreamento do Lago Igapó desenvolvido pela Prefeitura e entidades parceiras foi aprovado e selecionado pelo Programa Águas Brasileiras, do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Com 84 inscritos, o Chamamento Público n° 02/2021 do MDR aprovou 57 projetos de entidades públicas e privadas, todos voltados à revitalização de bacias hidrográficas, e o resultado foi divulgado em 18 de fevereiro. Agora, o projeto do Município está apto a captar R$ 87,745 milhões para sua execução e passa a compor o banco de projetos do programa.

O projeto de Londrina prevê que os sedimentos retirados sejam utilizados no próprio entorno do lago, como substrato de compactação e vegetativo, evitando o transporte por longas distâncias. Caso isso não seja possível, será preciso providenciar uma área adequada para receber esses rejeitos. E, de forma contínua, será feito o monitoramento e acompanhamento das Soluções Baseadas na Natureza (SBN) implementadas para retenção e filtração da poluição. A proposta do Município irá utilizar estratégias de Soluções Baseadas na Natureza para desassorear os Lagos Igapó I, II, III e IV. Além de remover os sedimentos que estão no leito do lago, o plano engloba uma série de ações para reter e impedir a chegada desses sedimentos bem como a poluição da água do Igapó, com o intuito de torná-la segura para abastecimento da população em casos de escassez hídrica.

Na Prefeitura, o grupo responsável pelo projeto envolve representantes das secretarias municipais de Planejamento, Orçamento e Tecnologia (SMPOT); Obras e Pavimentação; Ambiente; e do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul). A equipe também é formada por integrantes da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Campus Londrina e Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar).

Somando a extensão dos quatro lagos e seus aterros, o Igapó ocupa uma área de 4.500 metros que cruza a cidade de oeste a leste. O primeiro lago foi inaugurado no aniversário da cidade em 1959 e, desde então, passou a ser mais do que um escoadouro das águas pluviais, ganhando múltiplas funções: é considerado o principal cartão postal da cidade e amplamente utilizado para práticas de atividades físicas e de lazer, tanto pelos londrinenses como seus visitantes.

Ao longo dessas seis décadas, o Igapó já passou por cinco esvaziamentos, para desassoreamentos e ações de manutenção das margens, barragem e vias públicas. Ainda assim, a condição atual é de alto nível de assoreamento, o que prejudica seriamente sua capacidade de absorção das águas oriundas de chuvas.

O cronograma de execução do projeto foi dividido em várias fases, e prevê o início das atividades nos lagos III e IV, pontos onde serão instaladas as áreas de retenção de resíduos. Formadas por telas ou pedras, essas barreiras bloqueiam a vinda de entulhos e lixos, permitindo apenas a passagem da água. “A entrada de cada nascente ou braço do lago teria uma área dessas. Ter essa retenção na entrada dos lagos permite que a água passe e os resíduos fiquem, e nesses pontos faremos a limpeza de forma concentrada”, contou a arquiteta.

Agora, o projeto deve ser selecionado por alguma instituição da iniciativa privada para patrocínio que viabilize sua execução. Essa etapa é intermediada pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, e os recursos destinados serão na modalidade de fundo perdido.

Ziober complementa que o trabalho poderá recuperar o Igapó, beneficiar toda a população que reside em seu entorno e utiliza os lagos, além de desonerar o Município ao economizar recursos públicos frente aos métodos tradicionais. “O Igapó, quando foi criado, foi instituído para conter as enchentes provocadas pelas chuvas. Hoje, acabou se tornando um ponto turístico importante para descanso, lazer, atividades esportivas, ou seja, tem um grande atrativo. Além de contribuir com a paisagem urbana, porque com a evaporação ele alivia as ilhas de calor, umidificando o ar. Aplicar as recuperações das matas ciliares, a preocupação com as margens, e ter políticas adequadas às Soluções Baseadas na Natureza são políticas que quebram e mudam os paradigmas de áreas de águas urbanas”, finalizou.

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Cláudio Osti
Cláudio Osti

Jornalista e editor do Paçoca com Cebola. Cobre a política de Londrina e do Paraná.

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