
O presidente norte-americano Donald Trump e o seu Partido Republicano sofreram uma derrota ampla e histórica ontem na eleição de meio de mandato, com o Partido Democrata, conquistando a maioria nas duas casas do Congresso. O placar na manhã desta quarta-feira mostrava 54 democratas contra 44 de republicanos no Senado. Na Câmara, 228 democratas e 139 republicanos eleitos. O Partido Republicano é conhecido pela sigla GOP, “Grand Old Party” (Grande Partido Antigo).
A avalanche azul democrata recupera a democracia norte-americana depois de dois anos de pesadelo, com Trump governando como um ditador com a subserviência do Congresso de maioria republicana.
O resultado reconfigura não só a democracia norte-americana, mas também os rumos da geopolítica em todo o mundo, agora com um Trump fragilizado e com poderes limitados depois da perda do controle da Câmara de Representantes e do Senado para os democratas.
Se cumprir seus dois últimos dois anos de mandato – há reais possibilidades de impeachment -, Trump será obrigado a prestar contas ao Congresso de acordo com a Constituição. Na primeira metade do seu segundo mandato, o excêntrico presidente ignorou sistematicamente a Constituição e suas leis complementares.
A derrota catastrófica dos republicanos ontem é resultado de políticas erráticas de Donald Trump nos últimos dois anos, que afastaram até mesmo seus correligionários mais fiéis. O desastre trumpista foi impulsionado pela insatisfação generalizada dos eleitores com a inflação, a guerra com o Irã e outras medidas impopulares que levaram aos baixos índices de aprovação.
Trump foi derrotado inclusive em redutos republicanos, como no Texas, onde o democrata James Talarico derrotou o candidato governista, o procurador Ken Paxton na disputa pelo Senado.
Nas Carolina do Norte e do Sul, os candidatos de Trump, Michael Whatley e Darline Graham, perderam a corrida pelo Senado, respectivamente para os democratas Roy Cooper e Annie Andrews.
Ainda pelo Senado, no Ohio o republicano Jon Husted foi derrotado pelo democrata Sherrod Brown. Na Geórgia o deputado republicano Mike Collins, uma das principais apostas republicanas, perdeu a disputa para o senador democrata Jon Ossoff. No Michigan, o democrata Abdul El-Sayed venceu o republicano Mike Rogers na corrida pelo Senado.
As derrotas republicanas se estendem para além de Câmara e Senado. Na disputa para governadores de estado, aliados de Trump, como Vivek Ramaswamy, Steve Hilton e Bruce Blakeman, foram derrotados por democratas em Ohio, Califórnia e Nova York.
Para além das eleições norte-americanas, a derrota de Donald Trump e dos republicanos renova a esperança de reversão das políticas belicosas em várias partes do mundo. A retomada de mais diplomacia para resolução das guerras no Oriente Médio torna-se mais viável. A normalização das vias de transportes na região é o primeiro passo para conter a alta no preço dos combustíveis e a crise econômica que se estende por todo o mundo.
*Marcos Cesar Gouvea é jornalista e articulista convidado do Portal
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