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domingo, 1 de novembro de 2026
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Lula chora e dedica diplomação ao povo brasileiro

Por Cláudio Osti
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Lula chora e dedica diplomação ao povo brasileiro

da Folha de São Paulo

BRASÍLIA

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta segunda-feira (12), ao ser diplomado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que a população reconquistou o direito de viver em democracia.

Chorando, Lula dedicou ao povo brasileiro o diploma de presidente eleito. Citou Deus e disse que fará todos os esforços para cumprir com o compromisso de “fazer o Brasil um país mais desenvolvido e mais justo”.

A declaração foi feita na cerimônia de diplomação no TSE. Lula e o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), receberam os diplomas confirmando que estão aptos a tomar posse, assinados pelo presidente da corte, ministro Alexandre de Moraes.

A cerimônia reforça a vitória eleitoral em meio a atos antidemocráticos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado na tentativa de reeleição.

Lula ainda afirma que vai terminar de definir a composição do primeiro escalão de seu governo nos dias seguintes à diplomação. Os primeiros nomes, como de Fernando Haddad para comandar o Ministério da Fazenda, foram anunciados na sexta-feira (9).

No discurso, Lula disse que “poucas vezes na história recente deste país a democracia esteve tão ameaçada”. Afirmou ainda que a vontade popular foi colocada à prova, e precisou vencer “obstáculos para ser ouvida”.

O presidente diplomado disse que é preciso “tirar uma lição” dos últimos anos. “Para nunca mais esquecermos, para que nunca mais aconteça”.

Ele afirmou que não abre mão da defesa da liberdade de expressão. “Mas defenderemos até o fim o livre acesso à informação de qualidade, sem mentiras e manipulações que levam ao ódio e à violência política.”

Lula também disse que a eleição marcou a disputa de um projeto de reconstrução do país contra o de destruição, “ancorado no poder econômico e na indústria de mentiras e calúnias jamais vista ao longo de nossa história”.

“Os inimigos da democracia lançaram dúvidas sobre as urnas eletrônicas, cuja confiabilidade é reconhecida em todo o mundo”, disse ainda o presidente diplomado.

Sem citar Bolsonaro, o petista declarou que seus adversários ameaçaram instituições e criaram obstáculos para impedir que eleitores chegassem aos locais de votação.

“Tentaram comprar o voto dos eleitores, com falsas promessas e dinheiro farto, desviado do orçamento público.”

Em outro trecho do discurso, disse ainda que o debate político foi envenenado com mentiras produzidas no “submundo” das redes sociais.

“Eles semearam a mentira e o ódio, e o país colheu uma violência política que só se viu nas páginas mais tristes da nossa história.”

Ainda que simbólica, a diplomação ganhou maior relevância em 2022. Bolsonaro e seu partido, o PL, promovem contestações com argumentos frágeis contra o resultado eleitoral e insuflam manifestações antidemocráticas nas estradas e em frente aos quartéis.

Ao encerrar o discurso, Lula disse que tem o compromisso de garantir a normalidade institucional e lutar contra as injustiças.

“É com o compromisso de construir um verdadeiro Estado democrático, garantir a normalidade institucional e lutar contra todas as formas de injustiça, que recebo pela terceira vez este diploma de presidente eleito do Brasil, em nome da liberdade, da dignidade e da felicidade do povo brasileiro.

A margem para contestar o resultado das eleições fica mais estreita com a diplomação.

A partir desse momento, deixam de ser aceitas as Aijes (ação de investigação judicial eleitoral). Nesse tipo de procedimento são apresentados indícios de abuso de poder, e a Justiça Eleitoral pode dar aval para uma investigação.

O presidente diplomado elogiou a atuação do STF e do TSE nas eleições e citou “firmeza na defesa da democracia e da lisura do processo eleitoral”.

Por outro lado, ainda há prazo de 15 dias após a diplomação para apresentação de Aimes (ação de impugnação de mandato eletivo), desde que haja “provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude”.

As entidades fiscalizadoras das eleições, como partidos e as Forças Armadas, também podem solicitar até 5 de janeiro ao TSE a “verificação extraordinária pós-pleito da integridade e autenticidade dos sistemas eleitorais”.

O PL já apresentou uma contestação desse tipo, que foi negada e apontada por Moraes como tentativa de tumultuar a democracia. Na ação, o partido comandado por Valdemar Costa Neto pediu anulação de votos depositados em urnas de modelos anteriores a 2020.

Moraes condenou o PL a pagar multa de quase R$ 23 milhões por litigância de má-fé, afirmando que a ação visava “tumultuar o próprio regime democrático brasileiro”.

Essa é a terceira diplomação de Lula. Em 2002, ele elogiou o sistema eletrônico de votação e chorou ao receber o diploma.

Na cerimônia seguinte, em 2006, o petista disse que “acabou-se o tempo em que algumas pessoas ousavam dizer que como povo deveria votar”.

No discurso desta segunda-feira (12), Lula ainda exaltou a formação de uma frente ampla contra o bolsonarismo.

O petista disse que o governo de transição detectou ações deliberadas do atual governo para o “desmonte das políticas públicas e dos instrumentos de desenvolvimento”.

Lula disse que as ameaças à democracia se repetem em outros países “A democracia enfrenta um imenso desafio ao redor do planeta, talvez maior do que no período da Segunda Guerra Mundial.”

Ele disse que o combate aos ataques democráticos exige tecnologias avançadas e legislação internacional mais dura e eficiente.

 

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Cláudio Osti
Cláudio Osti

Jornalista e editor do Paçoca com Cebola. Cobre a política de Londrina e do Paraná.

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6 comentários

  • O choro com lágrimas de crocodilo deve ter ocorrido quando o jurídico (STF) informou que as fraudes só mesmo a partir de janeiro…..

    • Será que ele e a família dele também vão comprar mais de 50 imóveis, inclusive mansões em Brasília, com dinheiro vivo como a família Bolsonaro? Será que ele vai investir quase 10 milhões de dólares em alguma offshore como o Paulo Guedes? Duvido. Perdeu, mané, não amola. Quá! Quá! Quá!

      • Não, vai continuar com “palestras” para empreiteiras amigas, é mais seguro e os pagamentos, pelo que sei, continuarão a serem feitos em dinheiro vivo transportados em caixas de papelão, a única coisa que muda é que sai Palocci e possivelmente entra Haddad ou Alckimin.

        • Décio Paulino

          É o que o senhor pensa, o que pensa todos os seguidores da seita bolsonarista. Continue abraçado ao seu Santo Bolsonaro.

          • E a vc, continue pensando como um inocente estudante secundarista educado pela cartilha comunopetista. Para quem conhece, desde os anos 70, a história do Janjo, não é uma questão “se” vai ocorrer corrupção desenfreada e traição ao povo brasileiro, é só uma questão de quando, 30, 60, 90, 120 ou 150 dias. A enquete esta lançada, eu aposto entre 90 a 100 dias. Só para te trazer para a realidade: o “02” da economia, escolhido por Haddad é um banqueiro, dono do Banco Fator e como dizia o saudoso Magalhães Pinto, fundador do extinto Banco Nacional, “quem gosta de banco é banqueiro”. Se lá na frente não der certo é só fazeruéli.
            Continue abraçado ao “alma mais honesta do Brasil”.

            • Cartilha comunopetista! Caralho! De onde o senhor tirou isso? De algum sermão do Malafaia? Que sofrimento deve estar sendo o fim da mamata dos bolsonaristas… “Só quatro anos”, devem estar se lamentando. Saudoso Magalhães Pinto?!? Não fique triste. Agora os bolsonaristas têm o General Benjamin Arrola. Quá! Quá! Quá!

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