No início dos anos 80, na minha adolescência, sair do colégio e ir ao Calçadão tinha uma atração especial. O destino eram as Lojas Americanas, onde a grande novidade de Londrina nos esperava. A escada rolante, a primeira da cidade, instalada em 1981, havia transformado um simples passeio em aventura. A gente subia, descia e repetia a dose, encantado com aquela modernidade. Era diversão gratuita, curiosidade e encontro de amigos. Quem viveu aquela época certamente guarda alguma lembrança daquele sobe e desce que virou parte da história afetiva da cidade.
A escada foi instalada pela Plaenge e começou a funcionar em 1º de dezembro de 1981, justamente quando o comércio iniciava as vendas noturnas de Natal. Um símbolo de inovação da iniciativa privada que entrou para a memória de gerações de londrinenses. A escada já não existe, mas funcionou por muitos anos, cumprindo seu papel e deixando boas lembranças.
É justamente aí que a nostalgia dá lugar à indignação. Aquilo que um dia foi novidade e diversão cumpriu sua função por décadas, enquanto, pertinho dali, em outro ponto da cidade, equipamentos que deveriam facilitar a vida da população se transformaram em problema sem solução. O sobe e desce que encantava adolescentes deu lugar a uma rotina de dificuldades para quem depende do transporte coletivo.

Quase meio século depois, o sobe e desce virou motivo de indignação no Terminal Central. As quatro escadas rolantes, instaladas em 2004, estão paradas, isoladas por segurança, e a reforma vai ficar para 2027 ou 2028.
Sai governo, entra governo, e a novela continua. Há registros de problemas em 2009 e 2014. Em 2023, dois lances ficaram inoperantes por cerca de um mês. Em 2024 e 2025, as reclamações e paralisações voltaram. Agora, em 2026, chegamos a mais um capítulo constrangedor, com os quatro equipamentos fora de serviço e esta já sendo a paralisação mais longa de um mandato.
A CMTU explica que a empresa vencedora da licitação desistiu do serviço, obrigando a abertura de novo processo de contratação, previsto para ser concluído no fim de novembro. Depois, ainda haverá trâmites burocráticos, e o conserto não ficará pronto tão cedo.
E quem paga a conta são os passageiros, especialmente idosos e pessoas com mobilidade reduzida, para quem vencer os degraus não tem nada de aventura. É dificuldade diária, cansaço e revolta.
A comparação é inevitável e incômoda. Em 1981, a iniciativa privada colocou a primeira escada rolante de Londrina em funcionamento, que cumpriu sua função por muitos anos. No Terminal, a CMTU não consegue manter quatro equipamentos essenciais funcionando ao mesmo tempo. Não se trata de comparar apenas máquinas, mas de cobrar planejamento, manutenção e responsabilidade com o usuário. Uma escada que funcionou por décadas e quatro que permanecem paradas dizem muito sobre a diferença entre oferecer um serviço e deixar a população esperando por ele.
Na adolescência, eu subia e descia por diversão. Hoje, idosos e passageiros do Terminal só querem vencer o percurso sem transformar alguns degraus em uma prova de resistência. A escada das Americanas deixou boas lembranças, enquanto as quatro do Terminal permanecem paradas, à espera de uma solução que nunca chega. Em Londrina, o sobe e desce que um dia simbolizou modernidade virou sinônimo de descaso. E a novela da CMTU continua sem data para o último capítulo.
Marcos Defreitas é jornalista e articulista convidado deste Portal
*Os textos assinados não refletem necessariamente a opinião do Portal






8 comentários
Na cidade que se fabrica Escadas Rolantes ver a má vontade da Prefeitura em resolver esse prossigo problema de manutenção que não ocorre nas diversas escadas rolantes da cidade, é inadmissível esse descaso com o “passageiro”, como dizer que ganha-se prêmios de transportes e manter um terminal urbano assim? Faltando Auto Crítica.
O ex vereador Marcus Freitas poderia fazer uma petição ao Ptomotor e Promotora do Ministério Público e outra para a Câmara Municipal contra esse descalabro.
Seria interessante ele fazer algo útil.
Vamos lá!
Central de Atendimento do MPPR em Londrina
*Atende a população de Londrina e Tamarana.
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Eu recordo dessa escada das Lojas Americanas.
Boas lembranças dos anos 80 e 90.
Ei Bispo de Londrina!
https://www.tribunapr.com.br/noticias/curitiba-regiao/catedral-luz-ingressos-gratuitos-curitiba/
Aprenda com Curitiba.
Já que o Senhor e a tal Mitra Diocesana conseguiram enterrar um Legado de Dom Geraldo Magela
Deveriam recorrer dos ausentes promotores e promotoras que indicaram os que processaram o próprio Bom Samaritano que teve a intervenção decretada pelo Juízo a pedido deles que nomearam o interventor.
Esse Dom Geremias é uma negação como administrador e como Pastor
https://www.pacocacomcebola.com.br/noticias/imoveis-da-casa-do-bom-samaritano-esta-indo-para-as-maos-de-banca-de-advogados/
amei. sua reflexão. Parabéns
Rapaz, passar pelas Americanas do calçadão é algo triste.
Lembro de quando eu era criança, adolescente, e a loja era um lugar bonito, vivo… a ala dos jogos e CDs, que hoje não existe mais, que eu ia quando ganhava um jogo de aniversário, e aproveitava pra comer um salgado com um suco naquela seção que ficava quase na saída lateral – do lado da seção de CDs e jogos – ouvir os CDs lançados… uma memória vívida foi quando, algum tempo depois da morte dos Manonas Assassinas, resolveram lançar um segundo disco de música deles com músicas que eles gravaram em estúdio mas não eram muito boas, e esse CD estava disponível lá.
Hoje a loja está quase sempre vazia, você tem que ter sorte pra encontrar três caixas funcionando, os jogos de tabuleiro do segundo andar já estão até desbotando de tanto tempo esperando por um comprador, e metade da loja são bancadas simples cheias de produtos de plástico barato como tupperwares… e é isso.Virou uma loja de badulaques sem vida.
As quatro escadas rolantes quebradas do Terminal Central são apenas uma das faces de um problema muito maior: Londrina está ficando economicamente para trás e sofre com uma gestão pública que entrega cada vez menos.
Os números ajudam a entender. Em 2023, Londrina teve um PIB de R$ 27,9 bilhões, enquanto Joinville, com população relativamente próxima, produziu R$ 49,8 bilhões. Maringá, com muito menos habitantes, praticamente igualou o PIB londrinense. Nossa indústria de transformação está estagnada há décadas, enquanto comércio, serviços e administração pública concentram mais de 76% da economia local. Temos agro forte, empresários ricos, mas isso não significa uma cidade economicamente forte.
A Prefeitura aumentou sua arrecadação, especialmente depois da pesada revisão do IPTU na gestão Belinati. Mas cobrar mais dos contribuintes não significa gerar mais riqueza. E existe também o problema da gestão: em 2025, Londrina investiu apenas R$ 130 por habitante em obras e equipamentos, menos que 91% das cidades brasileiras de porte semelhante.
O resultado aparece na limpeza urbana insuficiente, na falta de zeladoria, nas obras que se arrastam e nas licitações que não resultam em entregas. A empresa das escadas rolantes desistiu. No Zerão, a primeira vencedora da licitação sequer começou a obra. O governo anterior pensava pequeno. O atual demonstra enormes dificuldades de decisão, planejamento e execução.
Londrina precisa discutir sua pobreza econômica e a incapacidade de suas administrações de construir um futuro melhor. É uma discussão que precisa superar partidos, ideologias e eleições. Que cidade queremos daqui a dez anos? Porque, se continuarmos assim, a distância em relação a outras cidades só tende a aumentar. E as quatro escadas rolantes quebradas são apenas um retrato desse processo.
Sou usuária e vejo com muita tristeza a falta de atenção da CMTU em relação as escadas rolantes do Terminal.
Nunca resolvem.