
Ex-deputado federal é condenado a mais de 16 anos de prisão em Londrina; sentença é mais um capítulo na conturbada trajetória política e judicial de Boca Aberta
Emerson Petriv, o Boca Aberta, parece determinado a provar que, na política de Londrina, sempre é possível descer um degrau a mais e acrescentar mais um capítulo nada recomendável à história.
Enquanto tenta voltar à Câmara dos Deputados nas eleições deste ano, o ex-deputado federal acaba de receber uma nova condenação da Justiça. A sentença, proferida pelo juiz Juliano Nanuncio, condenou Boca Aberta a 16 anos, 7 meses e 15 dias de prisão, além de 2.508 dias-multa.
A pena, entretanto, não significa que ele será colocado atrás das grades imediatamente. A sentença estabeleceu regime aberto e ainda cabe recurso da defesa.
O caso envolve episódios de desacato, injúria e calúnia relacionados a ofensas dirigidas ao procurador-geral da Câmara Municipal de Londrina, Miguel Angelo Aranega Garcia e assessores da Casa.
Segundo a acusação, Boca Aberta fez graves acusações contra o procurador, inclusive utilizando expressões ofensivas e atribuindo a ele a prática de crimes.
Coleção de Processos
Cassado na Câmara de Vereadores; cassado na Câmara Federal, Emerson Petriv acumula ações na Justiça comum e na Justiça Eleitoral. Uma das últimas condenações na esfera eleitoral refere-se a propaganda falsa veiculada por ele na última campanha eleitoral para o legislativo federal. Petriv usou dinheiro público para divulgar uma suposta candidatura dele ao Senado. Por conta disso ele foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral. “A denúncia, assinada em 20 de abril pelo promotor Anderson Camões de Carvalho Iassaka, enquadra a “família Boca Aberta” no artigo 323 do Código Eleitoral, que prevê pena de prisão de três meses a um ano, aumentada de um terço a metade devido ao uso de meios de comunicação, mais o pagamento de 120 a 150 dias-multa (equivalentes a quatro e cinco salários mínimos).
A candidatura de Boca Aberta ao Senado era fraudulenta, pois sequer foi avalizada por seu partido, o Agir, porque ele está com os direitos políticos suspensos. Mesmo assim, ele utilizou fartamente os meios de divulgação, com ênfase às redes sociais, para divulgá-la. Sua companheira conjugal, Mara Boca Aberta, vereadora em Londrina e candidata à Câmara dos Deputados, e seu filho Boca Aberta Júnior, que tentou a reeleição à Assembleia Legislativa do Paraná, associaram-se a essa ação criminosa, divulgando peças publicitárias em sua companhia e expondo o número eleitoral da campanha falsa”, informou na época o jornalista José Pedriali, em seu blog.
A velha fórmula
Para quem acompanha a trajetória de Boca Aberta, o episódio não chega exatamente como uma surpresa.
O ex-vereador e ex-deputado, que já dormiu por um tempo na cadeia, construiu sua carreira política justamente explorando o confronto, o ataque a qualquer pessoa que pudesse gera a ele alguma visibilidade. Seu estilo sempre foi marcado por ataques, provocações e embates públicos com adversários e autoridades.
Foi essa postura que ajudou a transformá-lo em um fenômeno eleitoral em Londrina.
Mas o que funcionava como combustível para vídeos e discursos políticos também acabou produzindo uma extensa coleção de processos e decisões judiciais cada vez mais rigorosas.
De volta ao jogo?
Boca Aberta foi eleito deputado federal em 2018, mas não conseguiu completar o mandato. Sua trajetória política desde então foi marcada por cassação, disputas judiciais e tentativas de retornar às urnas.
A nova condenação chega em um momento particularmente delicado.
Mesmo estando inelegível, ele registrou sua candidatura a deputado federal pelo Republicanos no TRE, que está sendo questionada por adversários e será julgada pela Justiça Eleitoral.
E aqui aparece uma das ironias da história: Boca Aberta tenta voltar para Brasília justamente quando a Justiça acrescenta mais um volume ao seu já conhecido arquivo judicial.
Não é prisão automática
É importante separar a repercussão política da situação jurídica.
A sentença de primeira instância não representa uma prisão imediata. Boca Aberta pode recorrer e a decisão ainda poderá ser analisada pelas instâncias superiores.
Também é necessário diferenciar condenação de trânsito em julgado. Enquanto houver possibilidade de recurso, o processo ainda não terminou definitivamente.
Na política, porém, a sentença já produz efeitos.
A condenação oferece munição para os adversários e coloca novamente sob os holofotes uma pergunta que acompanha Boca Aberta há anos: até onde o personagem político consegue sobreviver às consequências de suas próprias brigas?














