Fraude bilionária, punição branda

Valter Orsi

Foi uma campanha cívica inesquecível. À medida que o noticiário ia expondo a dimensão do escândalo, a população se conscientizava sobre gravidade da situação. O clamor por justiça tomou conta da cidade. As manifestações se intensificaram, ganharam corpo e se impuseram até a condenação política do comandante do esquema.
No entanto, a cassação do ex-prefeito Antonio Belinatti em junho de 2000, não era por si só o desfecho almejado pelos londrinenses. A mobilização daqueles dias pretendia muito mais: a condenação criminal e a devolução do que foi desviado pela quadrilha.
A origem daquilo tudo foram os R$ 200 milhões arrecadados pelo município com a venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel. Hoje o montante ultrapassaria R$ 1 bilhão, de acordo com a correção pelo índice de inflação oficial do período. Boa parte destes recursos foi saqueada pelo esquema de corrupção, uma sangria que vitimou principalmente as parcelas mais desamparadas da comunidade. (mais…)

A culpa também é nossa

Tempos atrás, dando uma palestra sobre política a um grupo de adultos que estava retornando aos estudos, alguns, inclusive, sendo alfabetizados, alguém levantou a mão e comentou sobre os vereadores da cidade: “É impressionante como eles são ruins, despreparados”.

Hoje, nas redes sociais, o questionamento é o mesmo sobre os parlamentares que votaram ontem na Câmara Federal. Há um espanto quase generalizado.

Mas, qual é o motivo do espanto?

Na palestra disse o óbvio: Fomos nós que elegemos estes vereadores. Nós que os colocamos lá. Se há alguém culpado por eles estarem lá, somos nós eleitores.

Fomos nós que elegemos os deputados que ontem estavam lá buscando seus segundos de glória.

O grande problema de nós eleitores é que não pesquisamos os candidatos antes de votar, não analisamos a conduta deles, a vida pregressa. E depois de digitar o número do candidato na urna, o eleitor sente-se com o dever cumprido, não tem em mente que também é responsabilidade dele fiscalizar o trabalho do eleito.

A culpa também e nossa.

Chefe da UTI

Miguel Reale Júnior

Foi longo o caminho até a admissão da acusação por crime de responsabilidade pela Câmara dos Deputados. Outra longa estrada processual se apresenta à frente.
Serão ainda mais três decisões a serem tomadas pelo plenário do Senado. A primeira de recebimento da denúncia, ao examinar relatório a ser produzido por comissão especial composta por 1/3 do Senado.
A decisão de recebimento da denúncia precisa ser adotada por maioria simples dos senadores. A partir de então, a presidente é afastada temporariamente, pelo prazo de 180 dias. Segue-se uma fase de oferecimento de alegações por escrito pelos denunciantes e pela acusada.
Novo parecer é emitido pela comissão especial pela procedência ou improcedência da acusação, submetida novamente ao plenário. Reconhecida a improcedência, o processo é arquivado. Sendo procedente, os denunciantes oferecem libelo acusatório com rol de testemunhas, podendo a defesa também as indicar.
Neste instante, o julgamento passa a ser presidido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal. A aprovação final do pedido com condenação da presidente exige maioria de 2/3 do Senado. (mais…)

Teoria de Gênero, a “novilíngua” e o duplipensar

Por Filipe Barros

A obra “1984”, de George Orwell, ainda hoje é considerada um marco na literatura mundial pelo simples — e grande — fato de ter desmascarado a práxis dos regimes comunistas, socialistas e marxistas (ou como quer que se queira denominá-los). Tais regimes trazem em seu bojo o totalitarismo, o fim das liberdades individuais até o esvaziamento da própria condição de “pessoa humana”, a fome, morte e miséria da população, enquanto os donos do poder vivem de modo nababesco. Tão grave quanto é a alteração da história do passado e a manipulação da linguagem (“novilíngua”), culminando na impossibilidade de pensar diferente do Partido (“duplipensar”) e na eliminação de quem ouse fazê-lo. (mais…)

Vamos fechar 30 minutos para não fechar para sempre

Por Valter Orsi

Parece que a política brasileira sempre consegue piorar. Um exemplo foi o que aconteceu na semana passada. Para conseguir foro privilegiado, e fugir de uma possível prisão preventiva que poderia ser decretada pelo juiz Sergio Moro, o ex-presidente Lula aceitou ser ministro da Casa Civil, convidado pela presidente Dilma. Pouco depois começaram a ser divulgadas as escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça e que mostraram claramente que houve um conluio do governo e dirigentes do PT para proteger Lula. Pois bem, estas informações provocaram protestos em todo o País. (mais…)

Operação Lava a Jato chega na casa dos chefes

Na última semana tivemos dias que devem entrar para a história do Brasil.

Foram dias que deixaram claro o quanto ainda a nossa sociedade precisa avançar no combate à corrupção.

Primeiro foi a revista Isto É que antecipou sua edição de final de semana para mostrar as denúncias feitas pelo Senador Delcídio do Amaral (PT).

Ao propor a delação premiada, Delcídio do Amaral teria citado vários nomes, entre eles o da presidente Dilma Rousseff e o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de detalhar os bastidores da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras. As primeiras revelações do ex-líder do governo fazem parte de um documento preliminar da colaboração e aumentou ainda mais o caos que está o governo Dilma. Um dia depois, na sexta-feira, foi a vez do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser levado para prestar depoimento na Polícia Federal. A determinação foi do juiz Sérgio Moro, que comanda a Operação Lava a Jato. (mais…)

Discussão sobre a Sanepar e o contrato de Londrina

Em edital publicado pela Folha de Londrina no dia 28/2, a Câmara de Vereadores convoca a população para uma audiência pública para sugestões ao Projeto de Lei que prorroga por 30 anos o contrato com a Sanepar.  Pois bem, atitude louvável esta discussão.

Em 1.991  entrei com um Projeto de Lei na Câmara para municipalizar o serviço de água e esgoto e anexei 30 mil assinaturas de apoio que colhi no Calçadão, pois entendia na época que o município poderia perfeitamente assumir o serviço.

Não precisa dizer que não deu em nada, pois até agora todos prefeitos pipocaram diante do governador que evidentemente não concorda em perder sua galinha de ovos de ouro. (mais…)

Placa em homenagem ao Rotary provoca polêmica

10391798_1549249112053403_8039721429674177612_nVejam a dimensão da placa que está sendo instalada na rotatória da Avenida Castelo Branco para homenagear os 111 anos do Rotary Club. Trata-se de uma sinalização própria para rodovias ou para portal de grandes empreendimentos.

Eregida no centro da rotatória e constituída de maciças estruturas de concreto a instalação brutalizou o espaço que, se fosse devidamente reurbanizado, representaria uma das mais belas praças da cidade.
Enquanto isto a estátua do noblíssimo marechal e ex-presidente Castello Branco permanece com as mãos e o rosto pintados de vermelho, com a base pichada e ostentando um já desgastado colar de havaiana, que em seu medalhado pescoço foi colocado já fazem 4 anos. Onde estava o apreço dos empresários londrinenses ao belo? Onde será que se meteu o senso das proporções, das linhas e da arquitetura clássica? (mais…)

Paçoca Memória: “O dedo no rabo”

O folclórico Oliveira, comerciante e morador do Parque Ouro Verde, em Londrina, sempre sonhou em ser vereador e concorria sempre, com votação nunca superando a marca dos 300 votos.
Numa das últimas eleições procurou o Chico Mestre, famoso articulador político da cidade, e exigiu que no comício no seu bairro, queria ser carregado até o palanque, nos ombros do povo, como fazia o (o ex-prefeito) Belinati. “Tudo bem, mas você paga os dois caras, ok?” – respondeu o Chico, com o que Oliveira concordou.

Chega o grande dia.

E lá vem o Oliveira carregado nos ombros dos dois fortões, saudando o povo.

De repente, começa a chutar e dar socos visivelmente irritado.

Chegando no palanque foi questionado: “Oliveira, você estava agredindo seu eleitorado?” – ao que ele respondeu: “eleitorado P…nenhuma. Estavam enfiando o dedo no meu rabo”.

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Sapos, bagres, pererecas e outros bichos

Por Reinaldo Azevedo/F.S.Paulo

Não em razão do tamanho do seu partido, mas do número de votos que obteve nas duas últimas eleições e do espaço que ocupa na imprensa, Marina Silva, a líder da Rede, se tornou a principal força auxiliar da presidente Dilma Rousseff. Nem boniteza nem precisão, mas esperteza. Aquele jeitinho de quem só toma vitamina de chuchu com rúcula esconde um modo bem cruento de fazer política.

Dilma e o PT fizeram de Michel Temer o seu principal adversário. A máquina federal entrou na disputa pela liderança no PMDB na Câmara e busca dificultar ao máximo a recondução de Temer à presidência do partido. A mão armada da turma é Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, investigado em seis inquéritos, mas nunca denunciado por Rodrigo Janot. (mais…)

Para reflexão: A ida do senador Álvaro Dias para o PV

O Senador Álvaro Dias foi eleito em 2014 com 4.101.848 de votos pelo PSDB. Em 2014 o Governador Beto Richa tinha boa aceitação e popularidade. O candidato à Presidente da República pelo PSDB Senador Aécio Neves adversário de Dilma Roussef.

Ambos os candidatos tinham grande aceitação no estado do Paraná, onde ambos tiveram votação expressiva. O Senador Álvaro Dias do PSDB disputou a eleição com candidatos de pouca expressão e péssimos de votos, o que possibilitou a votação que obteve.

O suplente do Senador Joel Malucelli do PSD, é aliado do governo Beto Richa. Todas as variáveis conspiravam para a reeleição  do Senador Álvaro Dias.

Durante o, primeiro ano após a eleição, o Senador Álvaro Dias  preparou sua saída do Partido que o elegeu com os votos dos eleitores que votaram no Senador Álvaro Dias do PSDB. Recentemente o Senador em visita a Londrina informou que estava saindo do PSDB, transferido sua filiação para o PV. (mais…)

Governo não pode subjugar militares

Luiz Carlos Hauly

Com o Brasil mergulhado numa profunda crise ética, política e econômica,  a presidente Dilma e seus assessores deveriam trabalhar exclusivamente para livrar o País desta iminente derrocada. Porém, fomos surpreendidos com o Decreto 8.515, assinado pela presidente Dilma, que tira autonomia dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para decidir sobre atos relativos ao pessoal militar.

Quando setores da sociedade cobram a volta dos militares, inconformados pelos desmandos de mais de 12 anos dos governos petistas, o mínimo que a presidente Dilma e seus assessores deveriam ter, é equilíbrio e bom senso para evitar qualquer cisão neste período delicado que o Brasil atravessa.  Ao assinar esse decreto, justamente à véspera do feriadão de 7 de Setembro, o Governo emite um recado confuso, escondendo suas reais intenções. (mais…)

Água e Esgoto: Municipalizar ou não o serviço

No início dos anos 90, quando era vereador na cidade, coletei mais de 20 mil assinaturas em favor da municipalização da Sanepar.  Fiz um trabalho de pesquisa por inúmeras cidades Brasileiras que mantém um serviço municipal de abastecimento de água e  esgoto.

Antes de entrar com o projeto de lei, chegamos a conclusão que é benéfico para a população e para a cidade de Londrina, pois em todas cidades que mantém tal serviços a população paga bem menos pelo serviço e a qualidade também é muito boa.  Um exemplo caseiro: Ibiporã, para não citar muitos outros, como acidade de Ribeirão Preto (mesmo porte de Londrina).

Quando propusemos a municipalização a desculpa sempre era a mesma. Quem paga o acervo da Sanepar? Ora, paga da forma que eles nos pagaram, com papéis.

Na verdade nenhum prefeito, até hoje, teve coragem de peitar o Estado, que sempre ameaça não enviar verbas pra cidade. Com a palavra o nosso prefeito Kireeff. O Estado não quer largar esta teta,  sem dizer que Londrina subsidia inúmeras cidades de pequeno porte de nossa região.

Célio Guergoletto
professor

Londrina tem que voltar a ser ousada

Os caras foram chegando por aqui na década de 1930 abrindo a picada com machados, enxadas e muita esperança.

O povoado se transformou em uma vila, a vila em cidade e hoje temos uma baita metrópole.

Hosken de Novaes, José Richa e Alvaro Dias foram os três governadores do Paraná que iniciaram suas carreiras políticas aqui.  E ainda tem esse que está no cargo hoje, nascido em Londrina.

No final da década de 70, enquanto Curitiba era Arena – que apoiava os governos militares – Londrina era MDB, oposição, briguenta e guerreira.

Londrina teve seus momentos de ousadia.

Os prefeitos Antonio Fernandes Sobrinho construiu o Lago Igapó; Dalton Paranaguá, o Moringão; José Richa, a Via Expressa e, em poucos meses o Estádio do Café;  Wilson Moreira abriu a Avenida Leste-Oeste; Antonio Belinati, o Autódromo Internacional Ayrton Senna.

Nos últimos anos a cidade parece ter esquecido o significado da palavra ousadia.

Envolvida em diferentes escândalos de corrupção, Londrina foi se apequenando politicamente. Parece que, depois de tanta bandalheira,  tornou-se poibido ousar.

De segunda cidade em arrecadação de ICMS, caiu para quarto o quinto lugar no estado, dependendo do ano.

Londrina, praticamente, parou nos últimos tempos.

E quando o prefeito Alexandre Kireeff diz que quer duplicar a PR 445 – 78 quilômetros entre Londrina e Mauá da Serra -, sim um ato de ousadia já que esta deveria ser uma obrigação do governo do Estado – chovem as mais diversas críticas. Vira um nhem, nhem, danado. Por que não tapa os buracos das ruas? Por que não capina as praças? etc, etc. Ora, quem disse que não se pode fazer tudo isso e muito mais? Cidade que quer crescer, se desenvolver, não pode ficar apenas discutindo capina e roçagem.

Sim há criticas construtivas de gente interessada em resolver o problema já que o governo do Paraná, que demonstra não ter grana e nem vontade, vai demorar até esse restinho de século para tomar uma posição. Só para lembrar, por uma decisão política, o então Álvaro Dias mandou duplicar a ligação entre Londrina e Maringá. Até hoje, uma solução para as duas cidades.

Há também as críticas puramente políticas, que não constroem, feitas apenas para desgastar este ou aquele personagem.

Ora, o fato é que a PR 445 precisa sim ser duplicada. Os motivos são óbvios: o tráfego de veículos é intenso; com o aumento do número de veículos, os acidentes tornaram-se mais frequentes e graves, com mortes; é importante para melhorar a infraestrutura viária da região para as indústrias instaladas e que precisam enviar seus produtos para exportação e outras frentes de consumo; a duplicação é essencial para o desenvolvimento da região metropolitana.

Não sei se a solução seria a Caixa de Previdência dos funcionários da prefeitura participar do empreendimento; se a prefeitura tem que pegar a grana do Banco Mundial; fazer Parceria Privada, etc.

O que não dá é para ficar como está.

Cláudio Osti, jornalista, nascido na Vila Recreio e otimista por convicção

E se o Tsipras fosse prefeito de Curitiba?

*Por Bernardo Pilotto

No próximo domingo, 05 de julho, os gregos irão escolher, em plebiscito, se o governo do país, liderado pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras (da SYRIZA – Coalização da Esquerda Radical), deve aceitar (ou não) as imposições feitas pela Troika (formada pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI). O governo grego defende o voto “não”, contra as imposições da Troika, o que pode significar a saída da Grécia da Zona do Euro.

O plebiscito grego é um exemplo para o restante do mundo. Afinal, em quantos países a população teve chance de opinar de modo direto sobre os acordos de seus governos com instituições internacionais? Na maior parte dos casos, os governos são eleitos mentindo pra população sobre quais compromissos iriam assumir futuramente. E esses compromissos impactam diretamente a vida das pessoas. Na Grécia, por exemplo, a Troika exige corte de aposentadorias, privatizações, diminuição de salários, entre outros ataques aos direitos sociais e trabalhistas.

No calor dos debates, Tsipras anunciou que renunciaria caso o “sim” fosse vitorioso. Isso porque, argumentou ele, foi eleito para não deixar mais a Grécia a mercê dos ditames da Troika, com um programa político que visa garantir direitos aos trabalhadores e a maioria da população. A vitória do “sim” significa a impossibilidade de cumprir este programa. Neste caso, o melhor é renunciar e “começar de novo”.

Agora… já imaginaram se o “método Tsipras” fosse usado pelos políticos brasileiros? Sim, por estes mesmos políticos que tem o estelionato eleitoral como regra! Sem tempo e possibilidade de refletir sobre o que seria de nós com Tsipras na presidência e/ou no governo do estado (onde também temos contratos e acordos vindos de fora que esmagam a possibilidade de termos direitos), foco minha reflexão-brincadeira sobre a prefeitura de Curitiba. (continue lendo aqui)